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Curso: Ciências Biológicas

Disciplina: Fundamentos de Zoologia (Aula 03)

Prof. Luiz Gustavo V. Salgado

Classificação Biológica e Nomenclatura Científica

Por que classificar?

A importância da ordenação;

A biodiversidade (2 milhões de espécies – 10 a 100 milhões);

Como classificar?

Similaridades e Diferenças - morfológicas, genéticas, fisiológicas, comportamentais, embriológicas etc;

Classificações Biológicas: são (ou deveriam ser) construídas a partir hipóteses de relações evolutivas (padrões de ancestralidade e descendência) descritas nas árvores filogenéticas.

o Processo: consiste em delimitar, ordenar e classificar organismos em grupos;

o Produto: esquema classificatório.

Histórico:

Aristóteles (“Escala da Natureza”): animais de “sangue vermelho” (Enaima - vertebrados) e animais “sem sangue” (Anaima - vertebrados”);

Bestiários: livros com ilustrações e descrições de animais.

Conceitos de Espécie: categoria mais fundamental da classificação biológica. o John Ray (sec. XVII) - “conjunto de indivíduos que, através da

reprodução, originam outros indivíduos semelhantes a eles próprios”; o Conceitos Atuais – mais de 24 conceitos diferentes (Mayden, 1997):

Conceito de Agamoespécies;

Conceito Biológico de espécies;

Conceito Cladístico de espécies;

Conceito de espécies coesas;

Conceito Composto de espécies;

Conceito Ecológico de espécies;

Unidade Evolutiva Significativa;

Conceito Evolucionário de espécies;

Conceito de Concordância Genealógica;

Conceito Genético de espécies;

Conceito de Agrupamento Genotípico;

Conceito Hennigiano de espécies;

Conceito Internodal de espécies;

Conceito Morfológico de espécies;

Conceito não dimensional de espécies;

Conceito Fenético de espécies;

Conceito Filogenético de espécies;

Conceito Politético de espécies;

Conceito de Reconhecimento de espécies;

Conceito de Competição Reprodutiva;

Conceito Sucessional de espécies;

Conceito Taxonômico de espécies.

oTipos de Conceitos de Espécie:

Conceitos baseados em similaridade - similaridade geral e/ou interrupções na distribuição dos caracteres (Morfológico, Fenotípico, Taxonômico etc);

Conceitos Evolutivos - comprometidos teoricamente com as idéias evolutivas (Biológico, Ecológico, Evolutivo, Reconhecimento, Coesão etc);

Conceitos Filogenéticos - baseados nas análises filogenéticas (Cladístico, Filogenético, Hennigiano etc).

o Conceito Biológico de Espécie (Mayr, 1977): um conjunto de todos os

indivíduos que, em condições naturais, são fisiologicamente capazes de, real ou potencialmente, num dado lugar e momento, se cruzarem entre si e produzir descendência fértil, encontrando-se isolados reprodutivamente de outros conjuntos semelhantes.

Nomenclatura Binominal de Lineu:

Systema Naturae (Carl Von Linné, entre 1735 e 1758): livros que apresentavam um sistema eficiente de nomenclatura biológica baseado no conceito de espécie que foi amplamente aceito pelos cientistas.

OBS.: conceito de espécie de Lineu - organismos que apresentassem características morfológicas idênticas – critério morfológico.

Regras de Nomenclatura Zoológica:

Categorias Básicas do Sistema de Classificação Biológico:

I- Nomes dos Táxons: táxon é um grupo de organismos reais reconhecido como uma unidade formal a qualquer nível de uma classificação hierárquica (SIMPSON, 1962);

O Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) disciplina nomes dos táxons do grupo da Família, do grupo do Gênero e do grupo da Espécie;

o Táxons do grupo da Família⇒ ⇒ Superfamília, Família, Subfamília e Tribo;

oTáxons do grupo Espécie ⇒ Espécie e Subespécie;

Nomes em latim ou latinizados (universalização);

Os nomes dos táxons podem ser:

oUninominais: expressos por uma única palavra, um substantivo no plural ou adjetivo usado como substantivo; adotam-se para denominar táxons de categorias de:

Filo e Subtribo - são escritos com maiúscula e não são grifados. Ex.: Coelenterata (Filo); Insecta (Classe); Ithomiidae (Família); Ibidionini (Tribo).

Gêneros - com maiúscula e grifados. Ex.: Apis, Musca, Homo ouTáxons do grupo Gênero Gênero e Subgênero;

Apis, Musca, Homo.

Obs.: Terminações: Família (IDAE), Subfamília (INAE), Superfamília (OIDEA), Tribo (INI), Subtribo (INA).

o Binominais: usados para táxons da categoria da espécie. Nome do gênero no qual a espécie está classificada, seguido de um segundo termo (adjetivo), próprio da espécie. Ex.: Apis mellifera.

Obs.: Quando o nome genérico já foi mencionado anteriormente no texto de um trabalho, não há necessidade de citá-lo por extenso, basta usar a letra inicial seguida de ponto. Ex.: Oncideres - O. impluviata e O. singulata.

oTrinominais: adotam-se em 2 casos:

Subgênero: é inserido, entre parênteses, entre o nome do gênero e o da espécie. Ex.: Glenea (Paraglenea) triglinata

 Subespécie: consta do nome da espécie onde foi classificada, seguida de um terceiro termo, peculiar à subespécie. Ex.: Hypsioma gibbera amazonica

o Tetranominais: quando se combinam nomes das categorias do subgênero e da subespécie. Ex.: Taricanus (Microcanus) truquii mexicanus

II- Publicações de nomes científicos:

As publicações que encerram novos nomes científicos ou outras informações que afetem a nomenclatura devem satisfazer algumas exigências:

o os trabalhos devem ser de domínio público;

o impressos em papel e com tinta que garantam sua preservação em numerosas cópias idênticas, possíveis de serem obtidas por compra, doação ou permuta;

o a simples menção de um nome científico não determina sua validade. O Código determina as condições a serem satisfeitas no que tange à publicação onde o nome foi mencionado; a língua em que foi escrito (latino ou latinizado) e a forma (binomial);

o nome de nova entidade (Gênero novo, Espécie nova, etc...) é publicado, logo após indicação clara, abreviada, da categoria a qual pertence “sp. n.”, “gen. n.”;

III- Nome dos autores:

Deve-se indicar o nome da pessoa que publicou o táxon pela primeira vez. Ex.: Musca domestica Linnaeus;

a) Autores em colaboração:

Quando a publicação tem dois ou mais autores. Ex.: Merostenus Marioni & Monné;

b) Nome de autores separados por “in”:

Usa-se “in” quando o nome científico é publicado numa obra não é do mesmo autor. Ex.: Hexoplon integrum Napp in Fragoso;

c) Mudança de gênero:

Quando uma espécie encontrava-se em outro gênero e foi transferida (nova combinação) coloca-se o nome do primeiro autor entre parênteses e o que fez a mudança logo após. Ex.: Bisaltes adustus (Thomson) Lima;

d) Nomes de autores entre colchetes:

o Indica que o nome foi publicado anonimamente e o nome do autor descoberto “a posteriori”. Ex.: Smodicum americanus [Rossi];

Obs.: após 1950, contudo, um novo nome publicado anonimamente não tem validade;

IV - Data da publicação:

É a data onde o trabalho apareceu pela primeira vez. Ex.: Sphaerion Newman, 1832;

V - Lei da Prioridade:

Dentre todos os nomes propostos (sinônimos) para um mesmo táxon, o mais antigo (sinônimo sênior) tem validade sobre os mais novos (sinônimos juniores). Ex.: Prionus Fabricius, 1798 (sinônimo sênior) - Saperda Dalman, 1840 e Tomopterus Bates, 1900 (sinônimos juniores). Obs.: todos esses nomes aplicam-se ao mesmo táxon;

VI - Lei da Homonímia:

Homônimos: quando dois animais, completamente diferentes recebem, por coincidência, nomes idênticos;

Segundo a lei da homonímia, o homônimo mais recente deve ser rejeitado e substituído. Ex.: Tulcus Buck, 1810 (homônimo sênior) - Gênero de peixe / Tulcus Pizzaro, 1940 (homônimo junior) - Gênero de insetos;

VII - Conceito de Tipo:

Tipo: é o padrão de referência para a aplicação de um nome científico. O tipo de uma Espécie é um exemplar; o de um Gênero, é uma Espécie nominal e o de uma Família, é um Gênero nominal;

VIII - Tipos dos táxons da categoria da espécie:

Série-tipo: conjunto de todos os exemplares nos quais o autor baseou a descrição da espécie;

Holótipo: é o exemplar designado ou indicado como tipo pelo autor original ao tempo da publicação da descrição original da espécie;

Parátipos: são os demais exemplares da série-tipo;

Síntipos: são todos os exemplares da série-tipo, quando o autor não seleciona um holótipo;

Lectótipo: é o exemplar selecionado dentre os síntipos para fazer o papel de holótipo. Os demais exemplares da série são chamados paralectótipos;

Neótipo: é o exemplar designado por um autor, quando o holótipo (ou todos os síntipos) foi destruído ou perdido, com a finalidade de substituí-lo;

IX - Localidade-tipo:

É a localidade onde o exemplar-tipo foi coletado;

X - Tipos de táxons da categoria do Gênero:

O tipo de cada gênero é uma espécie que se denomina espécie-tipo do gênero;

XI - Tipos de táxons da categoria da Família:

É o Gênero no qual está baseado o nome da Família. Recomenda o Código que o Gênero escolhido para tipo seja bastante conhecido e que represente bem a Família.