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Ministério da Educação

Secretaria de Educação Básica

Diretoria de Apoio à Gestão Educacional

Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa

CURRÍCULO NO CICLO

DE ALFABETIZAÇÃO:

CONSOLIDAÇÃO E

MONITORAMENTO DO

PROCESSO DE ENSINO E

DE APRENDIZAGEM

UNIDADE 1 | ANO 2

Brasília

2012

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Secretaria da Educação Básica – SEB

Diretoria de Apoio à Gestão Educacional

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)

Tiragem 125.616 exemplares

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Esplanada dos Ministérios, Bloco L, Sala 500 CEP: 70047-900

Tel: (61)20228318 - 20228320

Sumário

CURRÍCULO NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO: CONSOLIDAÇÃO E MONITORAMENTO DO PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM

Iniciando a conversa

05

Aprofundando o tema

06

Currículo no ciclo de alfabetização:

 

ampliando o direito de aprendizagem a todas as crianças

06

A complexidade da aprendizagem do Sistema

 

de Escrita Alfabética: ampliação do tempo para

 

a consolidação da leitura e da escrita pela criança

13

Avaliação no ciclo de alfabetização:

 

o monitoramento do processo de ensino

 

e de aprendizagem das crianças

19

Compartilhando

27

Direitos de aprendizagem no ciclo de alfabetização

 

– Língua Portuguesa

27

O acompanhamento da aprendizagem das crianças:

 

sugestão de instrumento de registro.

35

Perfil de grupo:

 

sugestão de instrumento de acompanhamento da turma

40

Aprendendo mais

41

Sugestões de leitura

41

Sugestões de atividades para os encontros em grupo

43

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CURRÍCULO NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO:

CONSOLIDAÇÃO E MONITORAMENTO DO PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM UNIDADE 1 | ANO 2

Autora dos textos da seção Aprofundando o tema:

Magna do Carmo Silva Cruz, Eliana Borges Correia de Albuquerque.

Autoras dos relatos de experiência e depoimentos:

Ivanise Cristina da Silva Calazans, Sheila Cristina da Silva Barros.

Leitores críticos e apoio pedagógico:

Alfredina Nery, Amanda Kelly Ferreira da Silva, Ana Cristina Bezerra da Silva, Ana Lúcia Martins Maturano, Ana Márcia Luna Monteiro, Eliana Borges Correia de Albuquerque, Erika Souza Vieira, Evani da Silva Vieira, Ivanise Cristina da Silva Calazans, Rochelane Vieira de Santana, Severino Rafael da Silva , Sheila Cristina da Silva Barros, Telma Ferraz Leal, Yarla Suellen Nascimento Alvares.

Contribuições para a produção dos quadros de direitos de aprendizagem:

Adelma Barros-Mendes; Alexsandro da Silva; Ana Catarina dos Santos Pereira Cabral; Ana Cláudia Rodrigues Gonçalves Pessoa; Ana Cristina Bezerra da Silva; Ana Gabriela de Souza Seal; Ana Lúcia Guedes; Ana

Lúcia Martins Maturano; Andrea Tereza Brito; Artur Gomes de Morais; Carlos Mourão; Célia Maria Pessoa Guimarães; Constância Martins de Barros Almeida; Cynthia Cybelle Rodrigues; Dayse Holanda; Débora Anunciação Cunha; Edijane Ferreira de Andrade; Eliana Borges Correia de Albuquerque; Evanice Brígida C. Lemos; Ivane Pedrosa de Souza; Ivanise Cristina da Silva Calazans; Juliana de Melo Lima; Kátia Regina Barbosa Barros; Leila Nascimento da Silva; Lidiane Valéria de Jesus Silva; Lourival Pereira Pinto; Luciane Manera Magalhães; Magna do Carmo Silva Cruz; Margareth Brainer; Maria Helena Santos Dubeux; Mônica Pessoa de Melo Oliveira; Nilma Gonçalves da Silva; Patrícia Batista Bezerra Ramos; Priscila Angelina Silva da Costa Santos; Rafaella Asfora; Rielda Karyna de Albuquerque; Rita de Cássia Barros de Freitas Araujo; Rosa Maria Manzoni; Severina Erika Silva Morais Guerra; Sheila Cristina da Silva Barros; Sidney Alexandre da Costa Alves; Simone Borrelli Achtschin; Suzaní dos Santos Rodrigues; Tânia Maria S.B. Rios Leite; Telma Ferraz Leal; Terezinha Toledo Melquíades de Melo; Tícia Cassiany Ferro Cavalcante; Vera Lúcia Martiniak; Vivian Michelle Rodrigues N. Padilha; Wilma Pastor de Andrade Sousa.

Obs. 1: O grupo de trabalho técnico para elaboração dos Direitos de Aprendizagem em Língua Portuguesa / MEC participou da discussão e elaboração dos quadros: Alfredina Nery, Ana Cristian Thomé Veneno Batista. Aricélia Ribeiro do Nascimento, Divani Aparecida Pereira Albuquerque Nunes, Francisca Isabel Pereira Maciel, Lúcia Helena Couto, Telma Ferraz Leal, Valéria do Nascimento Querido.

Obs.2: Participantes do VI Encontro do Grupo de Trabalho Fundamental Brasil, em 15 e 16 de agosto de 2012, realizaram leitura crítica e contribuíram com sugestões de aperfeiçoamento dos quadros.

Obs. 3: Profissionais de secretarias de educação visitadas por profissionais da equipe pedagógica do MEC contribuíram, apresentando sugestões, em encontros de debate com a equipe do Ministério da Educação.

Revisor: Iran Ferreira de Melo.

Projetográficoediagramação:

Ana Carla Silva, Luciana Salgado, Susane Batista e Yvana Alencastro.

Ilustrações: Airton Santos.

Capa:

Anderson Lopes, Leon Rodrigues, Ráian Andrade e Túlio Couceiro.

Iniciando a conversa

Na primeira unidade desse curso, buscaremos refletir sobre alguns princípios gerais que consideramos fundamentais para orientar o trabalho docente e que se expressam no ensino dos anos iniciais no cotidiano da sala de aula. Iremos tratar da importância de o currículo de alfabetização possuir clareza quanto aos direitos de aprendizagem das crianças e de buscar uma progressão do ensino e da aprendizagem ao longo dos três anos iniciais do Ensino Fundamental. Discutimos também a importância do monitoramento das aprendizagens em relação aos eixos da Língua Portuguesa em uma perspectiva interdisciplinar.

Ao planejarmos a prática docente no ciclo de alfabetização, é imprescindível assumirmos compromissos com os estudantes baseados em princípios educativos que visem garantir a todas as crianças os direitos de aprendizagem. Para isso, é importante considerarmos o que as crianças sabem e o que precisam saber, bem como refletirmos sobre o que é necessário para ensiná-las e como elas aprendem. Nesse sentido, é importante que todos estabeleçam um acordo sobre quais direitos de aprendizagem devem ser apropriados a cada ano.

Assim, os objetivos dessa unidade são:

•entender a concepção de alfabetização na perspectiva do letramento;

•aprofundar a compreensão sobre o currículo nos anos iniciais do Ensino Fundamental e a definição de direitos de aprendizagem e de desenvolvimento nas áreas da leitura e da escrita;

•compreender a importância da avaliação no ciclo de alfabetização, analisando e construindo instrumentos de avaliação e de registro de aprendizagem;

•construir coletivamente o que se espera em relação aos direitos de aprendizagem e desenvolvimento no ciclo de alfabetização.

Aprofundando o tema

Currículo no ciclo de alfabetização: ampliando o direito de aprendizagem a todas as crianças

Magna do Carmo Silva Cruz

A função da escola vem se ampliando à medida que o direito à educação se

alarga, considerando-se as individualida- des e subjetividades, na perspectiva que busca formar sujeitos comprometidos eticamente com a justiça, a solidariedade, a paz. Mas, considerar essas aprendizagens relativas aos valores éticos não implica desconsiderar os conteúdos escolares.

No documento “Indagações sobre o currí- culo”, Moreira e Candau (2007) apontam a necessidade atual de recuperar o direito do estudante ao conhecimento. Recu- pera, portanto, os vínculos entre cultura, currículo e aprendizagem.

Ao concebermos a educação como um direito, somos impelidos a pensar na inclusão como princípio de organiza- ção do currículo. Significa considerar

a necessidade de que todos estudantes tenham acesso ao conhecimento e avan- cem nas suas aprendizagens. Para isso, é primordial a consideração dos direitos de aprendizagem como um compromisso social, de modo a garantir que até ao 3º ano do Ensino Fundamental todos estejam alfabetizados. Ressaltamos, porém, que a educação inclusiva a que estamos nos refe- rindo é na perspectiva de uma escola justa que possibilite à criança a aprendizagem não só da leitura e da escrita de palavras isoladas, mas da leitura e produção de textos, cumprindo a alfabetização a sua di- mensão política e pedagógica, por meio da igualdade de oportunidades, considerando a diversidade de processos de aprendiza- gem e respeitando a heterogeneidade das turmas.

Assim, uma das grandes discussões atuais em educação gira em torno da ampliação do Ensino Fundamental para nove anos

e da proposta de organização de um ciclo de alfabetização que compreenda três anos, nos sistemas públicos de ensino. O Ciclo de Alfabetização se constitui, sob o nosso ponto de vista, como um espaço com inúmeras possibilidades para que toda criança em processo de alfabetização possa construir conhecimentos diversificados e multifacetados de forma contínua ao longo dos três anos.

A delimitação clara dos conhecimentos a serem construídos para a garantia dessas apropriações, tal como o exemplo que estamos apresentando na seção Com- partilhando, é o ponto de partida, mas é a prática do professor que, de fato, pode possibilitar que as intenções educativas se concretizem. Nesse sentido, Moreira e Candau (2007, p. 19) afirmam que “o pa- pel do educador no processo curricular é,

assim, fundamental. Ele é um dos grandes artífices, queira ou não, da construção dos currículos que se materializam nas escolas e sala de aula”.

O currículo no ciclo de alfabetização configura-se como um produto histórico- -cultural, norteador das práticas de ensino da leitura e da escrita, refletindo as rela- ções pedagógicas da organização escolar. Não se conformando como elemento neutro, constitui-se como um instrumento

de confronto de saberes, ou seja, como um conjunto de experiências, conteúdos, disciplinas, vivências e atividades na escola que visam à construção de identida- des e subjetividades, sem desconsiderar o “currículo oculto” no ambiente escolar. Segundo Marinho (2008, p. 2),

As prescrições governamentais sobre currículo representam, [...], importante acervo a ser levado em conta quando se pro- cura entender as tendências que têm predominado no conteúdo veiculado pela escola. De algum modo, essas prescrições pro- curam responder às demandas feitas à escola por parte da socie- dade em face às transformações sociais, culturais e econômicas pelas quais estas tem passado. Além de veicularem certos va- lores compartilhados, as orien- tações curriculares constituem também instrumentos legiti- madores de saberes e atitudes capazes de referendar interesses de grupos e segmentos que dis- putam a hegemonia na área.

Marinho (2008), ao analisar propostas curriculares do componente Língua Portuguesa de diferentes Secretarias de

unidade 01

 

07

 

 

 

 

 

Discussõessobre arelaçãoentre organizaçãoescolar ealfabetização serãoaprofundadas naunidade8.

Educação, verificou que, ao explicitar a concepção de língua, muitas propostas pretendiam ser interacionistas, porém, ao falar sobre essa abordagem, acabavam trazendo informações ambíguas, incom- pletas no que se referia às implicações dessa concepção de língua para os com- ponentes curriculares. A análise indicou,

por exemplo, que havia, nos documentos, a defesa de que o eixo central do ensino era o texto. No que se refere ao ensino de análise linguística, no entanto, as propostas pro- punham um trabalho com a gramática, nos moldes de uma concepção tradicional, sem estabelecer relação com os outros eixos do ensino. Além disso, a modalidade escrita era priorizada na maioria das propostas em detrimento da modalidade oral, sendo diminuída a quantidade de atividades com a linguagem oral ao avanço das séries.

A pesquisa de Marinho (2008) indica que, apesar de sabermos que a escrita é um produto cultural e o ato de ler e escrever são patrimônios culturais que devem ser disponibilizados a todos, historicamente a escola transformou a escrita de objeto social/cultural, que possui uma existência social, em objeto exclusivamente escolar, ocultando, muitas vezes, suas funções extraescolares. Entretanto, a criança en- contra a escrita por toda parte e de várias formas, sendo construtora do conheci- mento desde o seu nascimento. Na organi- zação curricular do ciclo de alfabetização precisamos considerar esse aspecto.

O currículo no ciclo de alfabetização é, portanto, uma proposta de reorganização temporal e espacial do ensino, que se traduz em uma nova forma de conceber os percursos de aprendizagem das crianças.

A razão da ampliação do período de alfa- betização para três anos, sem retenção, se justifica pela possibilidade de o ensino propiciar a produção/apropriação da escrita e da leitura baseado nos princípios da continuidade e do aprofundamento. Nesse contexto, a construção/apropriação

do conhecimento pelos estudantes se daria em uma progressão durante o período.

Tal opção, contudo, não implica deixar de garantir os direitos de aprendizagem necessários a cada ano como dispostos no

Quadro dos Direitos de Aprendizagens, na seção Compartilhando deste caderno.

Nesse sentido, para crianças em fase de alfabetização, a opção por agrupamentos não seriados, a exemplo do ciclo de alfabe- tização, gera a necessidade de mecanismos para atender aos que, em determinado

CURRÍCULO

momento, não estejam evidenciando domínio dos conhecimentos esperados, sem, contudo, interromper as trajetórias de escolarização.

Um dos objetivos centrais do ciclo de alfabetização, portanto, seria possibilitar a garantia do direito à leitura e à escrita, até o 3º ano do Ensino Fundamental. Mas, como garantir tais aprendizagens e, ao mesmo tempo, reconhecer as diferenças sociais, culturais, individuais?

Ao elaborar a proposta curricular do ciclo de alfabetização, é preciso tomar decisões básicas que envolvem questões relacio- nadas a “o que”, “para que” e ao “como” ensinar articuladas ao “para quem”. Tais questões estão atreladas ao conteúdo, às experiências, aos planos de ensino, aos objetivos, aos procedimentos e processos avaliativos.

De acordo com Veiga (2006), essas deci- sões estão relacionadas à (i) relevância do conteúdo (devemos saber que ele não é neutro, e sim marcado pelo interesse das diferentes classes sociais); (ii) intenciona- lidade (é necessário definir a intencionali- dade para alcançar a finalidade em função dos objetivos); (iii) tipo de conteúdo, pois esse deve ser significativo e crítico (é pre- ciso privilegiar a qualidade desses conteú- dos, e não a quantidade de informações, e ainda, a seleção desse conteúdo deve estar relacionada com a realidade social dos alunos).

Levando em consideração que um dos focos centrais do ciclo de alfabetização é promover a apropriação e consolidação da leitura e da escrita pelas crianças ao longo de três anos do Ensino Fundamen- tal, perguntamo-nos: Como deve se dar a organização dos tempos de aprendizagens dessas crianças na relação com as diver- sas áreas de conhecimentos? Será que devemos focar nessas turmas o ensino e a aprendizagem em todas as áreas de conhe- cimentos ou priorizar os conhecimentos relacionados diretamente com a alfabeti- zação?

Na perspectiva da organização curricular que propomos, a escola precisa preparar- -se para ampliar as possibilidades dos estudantes de terem acesso a diferentes saberes. Os conhecimentos construídos e circulantes nos diferentes espaços sociais constituem-se como direito de todos à formação e ao desenvolvimento humano.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (DCN) (BRASIL, 1998) propõem que é necessário “legi- timar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional” (Art. 3º inciso IV, p. 48). As DCN orien- tam para que as propostas curriculares contemplem várias áreas do conhecimen- to: Ciências Humanas, Ciências Naturais e Matemática e Linguagens, de forma articulada e interdisciplinar.

AResoluçãonº7, de14dedezembro de2010,doCon- selhoNacionalde Educação,quefixa DiretrizesCurricula- resNacionaisparao EnsinoFundamen- talde9(nove)anos podeserlidano cadernodoano1, Unidade8.

 

08

 

unidade 01

unidade 01

 

09

 

 

 

 

 

 

 

 

A consideração da interdisciplinaridade como elemento estruturante do plano curricular no ciclo de alfabetização apon- ta para a necessidade de planejarmos a organização do tempo sem fragmentar as áreas de conhecimento. Desse ponto de vista, faz-se necessário pensar na seleção, organização e distribuição de conhecimen- tos relevantes para que todos estudantes possam se apropriar deles, a fim de atua- rem na mudança de seus contextos como sujeitos autônomos, críticos e criativos. Por serem vistos como meio e não fim, os conhecimentos devem interagir em uma dinâmica pedagógica integrada e integra- dora, elaborada em situações de diálogos pautados em uma discussão reflexiva por meio do planejamento pedagógico coletivo e contextualizado, e fundamentada no contexto escolar.

A professora Ivanise Cristina da Silva Calazans, do 2º ano da Escola Municipal Nova Santana (Camaragibe – PE), traz um depoimento sobre o seu trabalho com projetos didáticos interdisciplinares:

Organizar um projeto didático interdisciplinar é uma tarefa nada fácil, muito menos sim- ples, porém possível. Planejo essa prática tendo como pres- suposto as diversas disciplinas atreladas aos eixos do com- ponente Língua Portuguesa. Considerando-as direito do educando, preciso contemplá- -las no planejamento. Portan- to, inicio a partir da elaboração do horário das aulas, separan- do o material existente como subsídio, nesse caso os livros didáticos, assim como as obras complementares. Costumo

ler com atenção as orientações contidas no manual do pro- fessor, tendo como norteador a Proposta Curricular da Rede Municipal na qual estou inse- rida. Mesmo com todos esses recursos, a maior dificuldade é dar conta de várias disciplinas.

Concluo afirmando que todo

Nesse sentido, ao propormos trabalhar

 

esse trabalho é importante,

com os conhecimentos das mais diversas

 

pois é a única forma de legi-

áreas de conhecimentos, devemos procu-

 

timar o direito do educando a

rar estabelecer relações em uma perspec-

 

uma formação ampla e apro-

tiva de ensino e aprendizagem em espiral,

 

fundada, e facilitar a minha

ou seja, as temáticas abordadas podem ser

 

prática pedagógica.

retomadas e ampliadas ao longo dos anos

 

Pelo depoimento da professora Ivanise

de escolarização.

 

O ciclo de alfabetização, ao ser concebi-

 

Cristina, percebemos que a interdisci-

 

do como uma etapa escolar de três anos,

 

plinaridade pode ser materializada com

 

favorece o estabelecimento de estratégias

 

o desenvolvimento de projetos didáticos,

 

em que os conhecimentos sejam gradativa-

 

embora não seja fácil desenvolver ati-

 

 

 

 

 

mente apropriados, por meio de retomadas

 

vidades organizadas nessa modalidade.

 

e aprofundamentos contínuos. No próximo

 

Segundo a professora, a leitura de textos de

 

texto, tal tema será aprofundado ao ser

 

orientação e uso de materiais didáticos de

 

discutida a importância da consolidação

 

qualidade são importantes para superar as

 

da alfabetização e da ampliação do tempo

 

dificuldades.

 

escolar para que esse processo ocorra.

 

Pensar em formas alternativas de orga-

 

 

 

nizar o ensino é muito importante para

 

 

a superação da fragmentação entre os

 

 

conhecimentos oriundos de diferentes

 

 

áreas de conhecimento ainda tão presente

 

 

em muitas práticas de ensino. Planejar

 

 

o ensino sabendo que os conhecimentos

 

 

podem ser tratados de modo articulado e

 

 

podem ser retomados e aprofundados de

 

 

um ano para o outro é um passo necessário

 

 

quando se assume uma perspectiva inter-

 

 

disciplinar.

 

 

Percebemos, portanto, que um conteúdo

 

 

pode ser inserido nos três anos do ensino

 

 

fundamental com objetivos semelhantes e

 

 

em diferentes níveis de aprofundamento.

 

 

Discussões sobre o trabalho por meio de projetos didáticos são foco de reflexão nos cadernos da unidade 6.

 

10

 

unidade 01

unidade 01

 

11

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências

BRASIL. Ministério de Educação e Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa para o 1º e 2º ciclos. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 41- 42, 119-120.

BRASIL. CNE – Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Brasília, 1998.

MARINHO, Marildes. A Língua Portuguesa nos currículos de final do século. In: BARRETO, E. S. Os currículos do ensino fundamental para as escolas brasileiras. São Paulo: Autores Associados, 2008.

MOREIRA, A. F. B. CANDAU, V. M. Currículo, conhecimento e cultura. In: BEAUCHAMP, J. PAGEL, S. D; NASCIMENTO, A. R. do. Indagações sobre currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag3.pdf >.

VEIGA, I. P. A. Docência: formação, identidade profissional e inovações didáticas. In.: SILVA, Aida Monteiro [et al.] (Org.). Educação formal e não formal, processos formativos, saberes pedagógicos: desafios para a inclusão social. Recife : ENDIPE, 2006.

A complexidade da aprendizagem do Sistema de Escrita Alfabética: ampliação do tempo para a consolidação da leitura e da escrita pela criança

Magna do Carmo Silva Cruz

Eliana Borges Correia de Albuquerque

Ao tratarmos do processo de alfabeti- zação, entendemos que ele é permeado por sua natureza complexa, pelos fatores políticos, sociais, econômicos e culturais. Discordamos, portanto, da ideia de que aprender a ler e a escrever signifique apenas adquirir um “instrumento” para futura “obtenção de conhecimentos”; podemos pensar que a escrita também

é instrumento de poder. No processo pedagógico não se pode ensinar a escrita como se houvesse neutralidade. A escolha dos textos, das situações vivenciadas, pode ser feita de modo a considerar os temas que podem ajudar as crianças a desenvolverem atitudes críticas. A alfabe- tização, desse modo, pode possibilitar o engajamento das crianças em processos de interação variados em que elas sejam protagonistas e possam agir para trans- formação de suas próprias vidas.

Além disso, consideramos que o processo de alfabetização pode ser também lúdico. Alfabetizar é uma tarefa complexa, mas é possível ensinar e aprender a ler e a escrever por meio de brincadeiras que estimulem a reflexão sobre o Sistema de

Escrita Alfabética (SEA). Na alfabetização também se pode envolver as crianças em situações prazerosas, contextualizadas e significativas que explorem a compreensão e a produção de textos de variados gêneros orais e escritos.

Mesmo sendo lúdico, o ensino da leitura e da escrita não é simples. Na verdade, a complexidade da aprendizagem da escrita é uma das razões para a delimitação de um período de tempo maior que um ano para que a consolidação da alfabetização ocorra. No entanto, é preciso ressaltar que tal complexidade não impede que, ao final

 

12

 

unidade 01

unidade 01

 

13

 

 

 

 

 

 

 

 

Discussõessobrea aprendizagemdo SistemadeEscrita Alfabéticasão apresentadasna unidade3.

 

do primeiro ano do Ensino Fundamental,

criança precisaria apenas de um ano para

 

as crianças já tenham se apropriado dos

se alfabetizar. Quem não “se alfabetizava”

 

conhecimentos acerca do funcionamento

em um ano era considerado inapto, fadado

 

do Sistema de Escrita Alfabética. Podemos,

a repetir a 1ª série.

 

assim, diferenciar as crianças alfabéticas

Com os resultados das pesquisas sobre

 

das alfabetizadas.

 

a Psicogênese da Escrita (FERREIRO e

 

 

 

As crianças alfabéticas são as que conse-

TEBEROSKY; 1979), muitos educadores

 

guem compreender o sistema notacional e

passaram a considerar a alfabetização

 

que, por isso, são capazes de ler e escrever

como um processo de construção de co-

 

palavras (ainda que apresentem dificulda-

nhecimentos sobre um sistema notacional

 

des) e, às vezes, frases e pequenos textos.

e inserção em práticas sociais de leitura e

 

As crianças alfabetizadas, além de serem

escrita. Nessa perspectiva, os erros come-

 

alfabéticas, são capazes de ler e produzir

tidos pelas crianças ao tentarem escrever

 

textos de diferentes gêneros.

palavras, no lugar de serem temidos e

 

Essa concepção é contrária à concepção de

necessariamente evitados, passaram a ser

 

vistos como reveladores das hipóteses que

 

que a alfabetização é a aprendizagem de

 

elas elaboram ao tentar perceber como a

 

um código, que seria ensinado por meio

 

escrita funciona. A aprendizagem, portan-

 

de métodos de ensino – ora analíticos ora

 

 

to, passa a ser vista como um processo em

 

sintéticos, que concebem o sujeito como

 

que aprendizes ativos buscam entender os

 

mero receptor de conhecimento. Essa

 

princípios que constituem o nosso sistema

 

perspectiva permeou o ensino durante

 

de notação.

 

muito tempo, no nosso país, e, com base

 

 

 

 

nesse conceito restrito, defendia-se que a

Segundo Ferreiro e Teberosky (1979),

 

 

 

 

 

 

para se alfabetizar, a criança precisa

 

 

perceber que o que a escrita alfabética

 

 

nota no papel são os sons das partes orais

 

 

das palavras e que o faz considerando

 

 

segmentos sonoros menores que a sílaba.

 

 

No processo de construção desse conhe-

 

 

cimento, as autoras apontaram que os

 

 

sujeitos passam por diferentes fases que

 

 

vão desde uma hipótese pré-silábica de

 

 

escrita na qual o aprendiz não faz cor-

 

 

respondência entre os segmentos orais

e escritos das palavras, até a fase alfabé-

Para que ocorra o processo de apropriação

 

tica, quando percebe que as palavras são

e consolidação da leitura e da escrita, é

 

compostas de unidades sonoras como as

preciso considerar, para cada ano do ciclo

 

sílabas e fonemas.

de alfabetização: o que queremos ensinar,

 

Esse processo de construção da escrita

os conhecimentos já construídos pelos alu-

 

nos, a natureza do objeto do conhecimento

 

alfabética envolve aprendizagens concei-

 

a ser enfocado, como se organiza o SEA e

 

tuais baseadas em princípios que devem

 

como os estudantes se apropriam dele.

 

ser apropriados pelas crianças. Segundo

 

 

 

Leal e Morais (2010), as atividades de

Ao tratarmos da necessidade de consolida-

 

 

reflexão sobre o Sistema de Escrita Alfabé-

ção da alfabetização, procuramos pensar

 

tica devem ser diversificadas, atendendo

em sua definição e nas relações que se

 

aos diferentes níveis de conhecimentos

estabelecem entre a apropriação do SEA

 

dos alunos e devem contemplar a apropria-

pela criança e os eixos de leitura e produ-

 

ção e a consolidação dos conhecimentos

ção de textos. Inicialmente trazemos para

 

construídos.

a discussão a necessidade de mantermos o

 

No entanto, como já foi dito, atingir a

equilíbrio necessário entre os processos de

 

alfabetização e letramento.

 

hipótese alfabética de escrita não signifi-

 

 

 

 

ca estar alfabetizado, uma vez que, além

Nesse sentido, os quadros de direitos de

 

de compreender o funcionamento do

aprendizagem apresentados na seção

 

nosso sistema de escrita, é preciso que

compartilhando deste caderno contem-

 

as crianças leiam e produzam textos com

plam os diferentes eixos do ensino da

 

autonomia. Para isso, é necessário que as

Língua Portuguesa, de modo a se garantir

 

correspondências som-grafia sejam con-

que, desde o 1º ano, as crianças vivenciem

 

 

solidadas. Esse processo de consolidação

atividades que as façam avançar em seus

 

envolve questões de natureza ortográfica.

conhecimentos relacionados tanto à leitu-

 

 

 

ra e produção de textos, como ao processo

 

Ao atingir a hipótese alfabética, é preciso

 

que a criança tenha domínio sobre as cor-

de apropriação e consolidação da escrita

 

respondências grafofônicas (saiba quais

alfabética.

 

letras representam determinado fonema)

Em relação à leitura e à produção de textos,

 

e reflita sobre as convenções ortográfi-

 

propõe-se que os alunos vivenciem ativida-

 

cas, compreendendo as regularidades e

 

des envolvendo diferentes gêneros desde

 

irregularidades, tal como está descrito no

 

o 1º ano, e que no final do 3º ano possam

 

exemplo de quadros de direitos de apren-

 

ler e produzir textos diversos com autono-

 

dizagem, na seção Compartilhando.

 

mia. Em relação à apropriação da escrita

 

 

 

 

Aunidade2trata doplanejamento eorganizaçãoda rotinadeensino dosquatroeixosda LínguaPortuguesa.

Reflexõesmais aprofundadassobre aaprendizagem daortografia estãoinseridas

nocadernoda unidade3,ano3.

 

14

 

unidade 01

unidade 01

 

15

 

 

 

 

 

 

 

 

alfabética, espera-se que, no 1º ano, as práticas de ensino da leitura e da escrita possibilitem à criança a construção da base alfabética e que os 2º e 3º anos sejam destinados à consolidação das correspon- dências som-grafia por meio de diversas situações significativas e contextualizadas de escrita de palavras e textos.

Como está ilustrado no quadro de direitos de aprendizagens, é preciso que os alunos, no final do 2º ano, dominem as correspon- dências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro, de modo a ler e escrever palavras formadas por diferentes estrutu- ras silábicas, além de saberem segmentar as palavras na escrita de textos e utilizarem diferentes tipos de letras de acordo com as situações de leitura e produção de textos diversos.

O que temos visto, no entanto, em muitas salas de aula do 2º ano do Ensino Funda- mental, é uma quantidade significativa de crianças que iniciam esse ano sem

o domínio do Sistema de Escrita Alfa- bética. Soares (2003), ao analisar esse fenômeno, aponta que, nos últimos anos, a alfabetização passou a ser obscurecida pelo letramento, perdendo sua especifici- dade no contexto brasileiro. Ela enfatiza a necessidade de se assumir a especificidade de ambos os processos, sabendo que eles são indissociáveis e interdependentes, e destaca a urgência de se “reinventar a alfa- betização”, de modo que os alunos possam,

no final do ciclo de alfabetização, ler e produzir textos em diferentes situações.

Em pesquisas sobre a prática docente (CRUZ, 2008, 2012) mostramos que é possível sim desenvolver o ensino na perspectiva do alfabetizar letrando de modo a garantir que os alunos no 1º ano se apropriem da escrita alfabética ao mesmo tempo em que ampliem suas experiências de letramento e concluam os 2º e 3º anos lendo e produzindo textos de diferentes gêneros de modo mais autônomo.

Na primeira pesquisa (Cruz, 2008), realizamos um estudo de caso em que analisamos as práticas de alfabetização e letramento das professoras do 1º ciclo de aprendizagem e suas relações com as

aprendizagens das crianças de três turmas iniciais do Ensino Fundamental em uma escola da Secretaria de Educação da cidade do Recife. Para realização da pesquisa foram utilizadas entrevistas, observações e atividades diagnósticas de escrita de pa- lavras e textos nos três anos investigados. Em relação às aprendizagens, a análise dos resultados apontou que 87% das crianças do 1º ano concluíram o ano letivo com- preendendo o funcionamento da escrita alfabética, escrevendo palavras, no geral, com algumas trocas de letras. No final do 1º ciclo, cerca de 90% das crianças con- seguiam ler e produzir textos de gêneros diversos. Ao ser comparado o desempenho das três turmas (1º, 2º e 3º anos do Ensino

Fundamental), os dados indicaram que ocorreu uma progressão das aprendiza- gens das crianças entre esses três anos do 1º ciclo.

Na análise das práticas das professoras, observamos que, na maior parte do tempo, as crianças de todas as turmas participa- vam de atividades de leitura e de escrita contextualizadas e significativas. Ainda sobre a prática das professoras, o 1º ano apresentou a maior quantidade de ativi- dades de apropriação do SEA e de reflexão fonológica, em comparação com os outros anos. Os resultados também apontaram que as professoras enfatizavam os eixos da leitura, produção textual e apropriação da escrita alfabética e ortográfica, graduando- -os progressivamente de acordo com os três anos do ciclo.

Enfim, os dados dessa pesquisa sugerem que a prática diferenciada das professo- ras em relação ao ensino da escrita e da leitura ao longo dos três primeiros anos do ensino Fundamental, o respeito à hetero- geneidade nas turmas e o estabelecimento de metas para cada ano do ciclo teriam possibilitado, nessa escola específica, a alfabetização das crianças do 1º ano e o avanço dos estudantes dos outros anos na aprendizagem da leitura e da produção textual. Para a efetivação dessa proposta metodológica, fez-se necessário recuperar o lugar do ensino da escrita alfabética no ensino do componente curricular Língua

Portuguesa, promovendo a compreensão dos princípios do SEA, já no primeiro ano, bem como assegurando a todas as crianças, em todos os anos e de forma progressiva, vivências de práticas reais e contextualiza- das de leitura e produção de textos.

Em outra pesquisa (CRUZ, 2012) analisa- mos as práticas de alfabetização e letra- mento em escolas organizadas em ciclo e em série nos três primeiros anos do Ensino Fundamental. Ao analisarmos o perfil de entrada dos alunos das duas escolas (a seriada e a ciclada), por meio da aplicação de atividades diagnósticas que envolveram a leitura e escrita de palavras e textos, observamos que a maioria dos alunos do 2º ano iniciou essa etapa da escolarização compreendendo o funcionamento do nosso sistema de escrita, o que indica que concluíram o 1º ano com o domínio de co- nhecimentos que são propostos no quadro de direitos de aprendizagem apresentado neste caderno em relação ao ensino da Língua Portuguesa. É importante destacar que, ao longo do segundo ano, todos os alunos evoluíram em suas aprendizagens e a maioria conseguiu concluir esse ano lendo e produzindo textos.

Os dados dessas pesquisas apontam para a necessidade de discutirmos metodologias de alfabetização em uma perspectiva de al- fabetizar letrando, independentemente da organização escolar dos sistemas de ensino. Em ambas as pesquisas constatamos, em

Nocadernoda unidade8,ano1, essaspesquisas sãoretomadas,na discussãosobre progressãoescolar.

 

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relação à apropriação da escrita alfabética, que as turmas do 1º ano funcionaram como um espaço para construção dessa apren- dizagem e as demais turmas (2º e 3º anos) para a consolidação da leitura e da escrita. As professoras das escolas participantes da pesquisa entendiam a necessidade de desenvolver práticas alfabetizadoras tendo por base dois caminhos: um primeiro consistia em ajudar a criança a apropriar-se do SEA, interagindo com a língua, em uma perspectiva reflexiva, analisando e refletin- do sobre os pedaços sonoros e escritos das palavras. O segundo consistia em ensinar a língua que se usa para escrever, asseguran- do a todos alunos vivências de práticas reais e contextualizadas de leitura e produção de textos diversificados para que pudessem

compreender e escrever textos que circulam em diferentes espaços sociais, atendendo a diferentes finalidades e destinatários.

As pesquisas mostram que professores de diferentes redes de ensino estão sim

“reinventando a alfabetização” por meio da construção de práticas de ensino da leitura e da escrita que consideram, como apontado por Soares (2003), as especificidades do processo de alfabetização e, ao mesmo tem- po, não separam a aprendizagem do sistema de escrita das práticas de leitura e produ- ção de textos. Na segunda Unidade desse Programa, discutiremos sobre a organização do trabalho pedagógico tendo por base a perspectiva do “alfabetizar letrando”.

Referências

CRUZ, Magna do Carmo Silva . Alfabetizar letrando: Alguns desafios do 1º ciclo

no Ensino Fundamental. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2008.

CRUZ, Magna do Carmo Silva. Tecendo a alfabetização no chão da escola seriada e ciclada: a fabricação das práticas

de alfabetização e a aprendizagem da escrita e da leitura pelas crianças. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco, 2012.

FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1979.

LEAL, Telma Ferraz; MORAIS, Artur Gomes. O aprendizado do Sistema de Escrita Alfabética; uma tarefa complexa, cujo funcionamento precisamos compreender. In: LEAL, Telma Ferraz; ALBUQUERQUE, Eliana Borges Correia de; MORAIS, Artur Gomes(orgs). Alfabetizar letrando na EJA: fundamentos teóricos e práticos. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

SOARES, Magda Becker. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. In:

26ª Reunião Nacional da ANPEd, 2003, Caxambu. Anais da 28ª Reunião Nacional da ANPEd, Caxambu: 2003, p. 1 – 18.

Avaliação no ciclo de alfabetização: o monitoramento do processo de ensino e de aprendizagem das crianças

Magna do Carmo Silva Cruz

Contrapondo-nos a uma concepção de escola seletiva na qual avaliação tinha como objetivo medir resultados finais em detrimento da aprendizagem, conside- ramos que a avaliação tem como objetivo regular e adaptar a prática pedagógica às necessidades dos alunos, considerando nesse processo avaliativo o professor, o aluno, a escola e a família. Nesse sentido, uma proposta avaliativa na alfabetização precisaria ponderar a perspectiva que não exclui a criança, mas que a agrega ao processo de construção do conhecimento, considerando todas as variáveis possíveis.

A concepção de avaliação que adota- mos parte da defesa da não repetência, considerando o processo avaliativo não como instrumento de exclusão, mas caracterizando-o como contínuo, inclusi- vo, regulador, prognóstico, diagnóstico, emancipatório, mediador, qualitativo, dialético, dialógico, informativo, forma- tivo-regulador. Segundo Leal (2003, p.

30), as finalidades do eixo central de uma proposta de avaliação formativa envolve- riam:

[...] avaliar para identificar conhecimentos prévios; avaliar para conhecer as dificuldades e planejar atividades adequadas; avaliar para verificar o apren- dizado e decidir o que precisa retomar; avaliar para verificar se os alunos estão em condição de progredir; avaliar para ve- rificar a utilidade/validade das estratégias de ensino; avaliar as estratégias didáticas para redi- mensionar o ensino.

Entendemos que, se a escola não tiver claramente disposto um currículo organi- zado e os critérios avaliativos definidos, a avaliação pode não possibilitar o avanço das crianças e a intervenção docente, podendo promover a exclusão interna. Não atenderá, portanto, aos diferentes objetivos propos- tos. Alertamos, no entanto, para o fato de que, se o ciclo da alfabetização romper com a repetência e a evasão, não necessariamen- te o nível de êxito nas aprendizagens pelas crianças aumentará. São necessários me- canismos para atender a todas as crianças,

 

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para que avancem por meio das progressões e sucessões necessárias para o aprofunda- mento dos conteúdos a cada ano.

Sobre tal tema – a progressão das aprendi- zagens das crianças – a pesquisa desenvol- vida no âmbito do Projeto GERES1, desen- volvido entre os anos de 2005 e 2008, com 20 mil alunos de cinco capitais brasileiras, mostra resultados bastante interessantes. Nessa pesquisa, foi acompanhada, ao longo dos três anos iniciais do ensino fundamen- tal, a mesma geração de crianças em esco- las organizadas em ciclos. Ela foi realizada em conjunto com seis centros de pesquisa do país e teve caráter longitudinal. Foram aplicados testes de português com foco na leitura e compreensão de textos e de Ma- temática. Para a análise dos dados, o grupo elaborou uma escala de proficiência.

Um recorte dessa pesquisa apresentado por Brooke (2008) apontou os resultados dos dados coletados ao longo dos três anos de escolaridade (relativos ao período de 2005 a 2007) em duas redes de ensino. O estudo apontou que no primeiro ano as crianças, de ambas as redes, apresentaram progressão da aprendizagem na leitura durante o ano, porém não continuaram a agregar mais conhecimentos de forma significativa ao

1  O GERES é um projeto de pesquisa longitudinal que focaliza a aprendizagem nas primeiras fases do Ensino Fundamental para estudar os fatores escola- res e sócio familiares que incidem sobre o desem- penho escolar, sendo a primeira pesquisa a acom- panhar a aprendizagem de alunos brasileiros/as ao longo do primeiro segmento do ensino fundamental.

longo dos outros dois anos da alfabetização. Nesse sentido, o autor indica que possivel- mente a falta de metas seria uma das causas da diminuição do ritmo de aprendizagem no segundo e terceiro anos, gerando a perda de foco do que deve ser ensinado após a fase inicial de alfabetização.

Os direitos de aprendizagens permitem, nesse contexto, planejar e orientar as progressões do ensino e das aprendiza- gens, delimitando os saberes que devem ser construídos pelas crianças ao final de cada ano escolar do ciclo de alfabetização. Estes não devem ser entendidos como formas padronizadas, mas como caminhos a serem construídos por cada criança na sua singularidade, para que o processo de alfabetizar letrando não perca o foco pela ausência de intencionalidade. Portanto,

Considerar as potencialidades e permitir uma abertura para novas capacidades requer mu- dança de postura do professor, que irá investir mais nos alu- nos. Isso repercutirá no modo como concebe a avaliação, que auxiliará no diagnóstico, no acompanhamento e em novas propostas para o desenvolvi- mento dos alunos, diversifican- do as estratégias utilizadas para melhorar a aprendizagem. No paradigma educacional centra- do nas aprendizagens signifi-

cativas, a avaliação é concebida

Com a avaliação diagnóstica é possível

 

 

como processo/instrumento de

acompanhar se os objetivos foram atingi-

 

coleta de informações, siste-

dos, possibilitando regulações interativas

 

matização e interpretação das

e integradoras. É necessário criar instru-

 

informações, julgamento de

mentos de avaliação variados para níveis

 

valor do objeto avaliativo atra-

de conhecimentos diversos e saber lidar

 

vés das informações tratadas e

com a heterogeneidade das aprendizagens,

 

decifradas, e por fim, tomada

respeitando os percursos distintos e dife-

 

de decisão (como intervir para

renciando o atendimento, instrumentos

 

promover o desenvolvimento

e encaminhamentos. Para isso, é impres-

 

das aprendizagens significati-

cindível pensar: O que os meus alunos já

 

sabem sobre a escrita? O que ainda não

 

vas) (SILVA, 2003, p.12-13).

 

sabem? O que devo ensinar? De que ponto

 

 

 

 

Nessa perspectiva de avaliação, é impor-

meu trabalho deve partir? Que metas de

 

tante pensarmos em: Por que e para quê

ensino e aprendizagem devo almejar?

 

avaliar? Para quem? Onde? Quando? O

Como avaliar cada habilidade/competên-

 

quê? Como? Com quem? Quais os resul-

cia/conteúdo?

 

tados das ações empreendidas? É impor-

Para responder tais indagações, é impor-

 

tante considerar que a avaliação visa gerar

 

tante realizar avaliações consistentes. É

 

informações para que professores e alunos

 

preciso definir quais capacidades ou co-

 

possam refletir e criar estratégias de

 

nhecimentos serão avaliados para planejar

 

superação dos seus limites e ampliar suas

 

os processos de ensino com objetivos a

 

possibilidades sobre cada eixo da língua

 

serem alcançados por meio da introdução,

 

trabalhado. Ao conhecer as formas pelas

 

sistematização ou consolidação das habili-

 

quais as crianças aprendem, o professor

 

dades e conhecimentos pelas crianças.

 

 

poderá planejar melhor a sua interven-

 

 

 

ção pedagógica, pois mapear a reação da

De acordo com os quadros de direitos de

 

criança à intervenção docente é a razão de

aprendizagem (seção Compartilhando),

 

ser do processo avaliativo em sala de aula,

entendemos que no 2º ano a criança já

 

 

 

 

 

considerando os percursos diferenciados.

deve estar alfabética e precisa avançar

 

A proposta é de potencializar a formação

com autonomia na consolidação da capa-

 

das crianças, garantindo a continuidade

cidade de leitura e escrita de textos para

 

da aprendizagem ao longo dos três anos e

que se torne progressivamente alfabeti-

 

o monitoramento da aprendizagem pelas

zada e letrada. Para isso, deve ser ava-

 

crianças.

liada a escrita de palavras com diversas

 

Naunidade2,as questõesrelativas aoplanejamento realizadocombase naavaliaçãoserão aprofundadas.

No Portal do Pro- fessor alfabetiza- dor, há propostas de instrumentos de avaliação da leitura e da escrita para cada ano do ciclo de alfabetização.

 

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estruturas silábicas e que contemplem as regras ortográficas regulares diretas e regularidades contextuais. Caso sejam identificadas crianças que não dominem tais conhecimentos, é preciso planejar ações didáticas voltadas a tais objetivos.

Em relação à produção textual, espera-se que a criança consolide a capacidade de refletir, com crescente autonomia, sobre o contexto de produção de textos, o plane- jamento da escrita e a produção dos textos para atender a diferentes finalidades bem sobre a organização do conteúdo textual, a estruturação dos períodos e o uso dos

recursos coesivos. Em relação à capacidade de leitura, espera-se que a criança desen- volva uma leitura fluente e compreensão dos textos lidos com autonomia.

Como dito anteriormente, para conduzir um ensino em que tais aprendizagens se efetivem, é necessário avaliar continua- mente o processo. É necessário avaliar no início do ano letivo (avaliação diagnós- tica) e durante o ano, para acompanhar redimensionar os planejamentos. Ao tra- tarmos da avaliação diagnóstica, é impor- tante refletirmos sobre os instrumentos a serem utilizados. Para investigar as apro- priações dos alunos em relação à escrita, o professor poderá desenvolver atividades diversificadas, tais como: observar como seus alunos desenvolvem as atividades em sala de aula; analisar suas produções escritas; observar como leem palavras

ou textos curtos em diferentes situações; entrevistar ou conversar informalmente com os alunos; propor testes em ativida- des específicas, como a Provinha Brasil.

A Provinha Brasil é uma avaliação diagnóstica do nível de alfabetização das crianças matriculadas no 2º ano de escolarização, das escolas públi- cas brasileiras, elaborada pelo INEP e

distribuída para as secretarias de educa- ção municipais, estaduais e do Distrito Federal. Na sua última edição (2012) avaliou, por meio de 20 questões, o nível de alfabetização dos alunos /turma nos anos iniciais do ensino. Por meio desse instrumento, é possível diagnosticar possíveis insuficiências das habilidades de leitura e escrita.

As habilidades avaliadas por meio da Pro- vinha Brasil estão organizadas na Matriz de Referência para Avaliação da Alfabeti- zação e do Letramento Inicial, não sendo avaliadas as habilidades de oralidade e de produção textual. Esses objetivos possibi- litam, entre outras ações: estabelecimento de metas pedagógicas para a rede de ensi- no; planejamento de cursos de formação continuada para os professores; investi- mento em medidas que garantam melhor aprendizado; desenvolvimento de ações imediatas para a correção de possíveis dis- torções verificadas; melhoria da qualidade e redução da desigualdade de ensino.

A Provinha Brasil, portanto, pode ser utilizada com o objetivo de se analisar os conhecimentos dos estudantes e definir prioridades e estratégias didáticas para garantir que os direitos de aprendizagem sejam efetivados. No terceiro ano, deve-se dar continuidade ao processo, consolidan- do o que foi aprendido e promovendo-se novas aprendizagens.

Consideramos, portanto, a importância da elaboração de uma proposta de conti- nuidade e aprofundamento dos conheci- mentos a serem explorados na busca pela efetivação da progressão escolar da criança e de suas aprendizagens a cada ano do ciclo, garantindo o seu direito à alfabetiza- ção em tempo oportuno. Em relação a esse aspecto, a professora Sheila Cristina da Silva Barros, do 2º ano da Escola Municipal

Ubaldino Figueirôa (Jaboatão-PE), aponta em seu depoimento a importância de as crianças chegarem ao 2º ano com o perfil inicial mínimo em atendimento ao que está disposto nos quadros dos direitos de aprendizagem - Língua Portuguesa.

No início do ano letivo mi- nha turma, do 2º ano, tinha 4 crianças no nível pré-silábico e 2 no silábico de qualidade, os alunos do segundo grupo es- tavam lendo palavras simples, mas com dificuldades, e as do primeiro grupo não liam auto-

nomamente. Em meados do ano eles já avançaram no processo de apropriação da leitura e da escrita, no entanto, não estavam no nível dos demais alunos que já vieram alfabéticos e reali- zando a leitura de textos desde o primeiro ano. Mesmo vendo os avanços desses alunos, fica a preocupação por percebermos que eles ainda estão se apro- priando/desenvolvendo habili- dades que deveriam estar sendo consolidadas, podendo isso se repetir no último ano do ciclo de alfabetização. Defendemos o respeito ao desenvolvimento dos nossos alunos, sem a temi-

 

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da reprovação, pois sabemos que não raro o aluno consegue maturar os conhecimentos dos quais estava se apropriando e avançar rapidamente. Acredito que, em muitos casos, sem ações paralelas àquelas desenvolvidas na sala de aula não há um res- peito real a todos, visto que al- guns podem concluir esse ciclo sem consolidar algumas habili- dades e saírem com lacunas que podem prejudicá-los.

No entanto, para realizar tais planeja- mentos é necessário saber avaliar as crianças. Morais (2010) fez um balanço das pesquisas apresentadas no Grupo de Trabalho “Alfabetização, Leitura e Escri- ta” da ANPEd (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação), com base em 17 estudos que se dedicavam a investigar o ensino da escrita alfabética realizado nas escolas brasileiras entre 2003 e 2007. Os resultados apontaram

em relação às formas de avaliar a aprendi- zagem da escrita alfabética que há difi- culdades de os alfabetizadores avaliarem os progressos realizados por seus alunos e de reorientarem sua prática com base nessas avaliações, apesar de periodica- mente diagnosticarem os níveis de escrita dos alunos. Ainda em relação ao atendi- mento à diversidade dos alunos quanto

à aprendizagem da escrita alfabética, o estudo apontou que há variedade de solu- ções desde a desconsideração para com a diversidade de níveis dos estudantes até a ausência de estratégias de diferenciação do ensino e/ou separação dos alfabeti- zandos, “com dificuldades de aprendiza- gem”, de suas turmas de origem.

Percebemos que, apesar de a diagnose configurar-se como um elemento de extre- ma importância para a prática das profes- soras alfabetizadoras, é imprescindível que também sejam desenvolvidas ações de acompanhamento e de intervenções ante os resultados das aprendizagens das crianças, conforme podemos observar no relato da professora Sheila Cristina:

A diagnose inicial da turma foi realizada entre os meses de fevereiro e março. Utilizamos um dos instrumentos diagnósticos e a leitura de um livro para os alunos que já iniciaram o processo. Os livros utiliza- dos para avaliar a leitura dos alunos apresentavam graus diferentes no tocante às palavras que compunham os textos e a complexidade

da história. Para os alunos com pouca fluência e iniciando o proces- so de compreensão textual trabalhamos com o livro “O balaio do rato”, de Mary França e Eliardo França. Os alunos com maior fluência de leitura e melhor compreensão leram “Sou fada? Sou bruxa?”. Através das atividades do instrumento buscamos identificar o nível de escrita dos alunos; a leitura de palavras sem o auxílio de pistas; contagem de sílabas; leitura de frases e a escrita do nome completo com autonomia.

Aplicação da diagnose:

A aplicação da diagnose se deu da seguinte forma: individualmente os alunos eram chamados para realizar as atividades ao lado da pro- fessora, sendo registrados alguns fatos relevantes para compreensão do raciocínio do aluno para a questão. No ditado mudo foi pedido aos alunos realizarem a contagem das sílabas das palavras antes da escrita das mesmas.

Encaminhamentos diante dos resultados obtidos:

Com o resultado da diagnose, a turma foi dividida em grupos, para trabalho dirigido em alguns momentos durante a semana:

Grupo 1: alfabéticos precisando melhorar a fluência de leitura, a compreensão textual e consolidar a ortografia;

Grupo 2: alfabéticos precisando desenvolver a fluência de leitura, compreensão textual, as correspondências som-grafia (principalmen- te nas silabas não canônicas) e trabalhar a ortografia;

Grupo 3: pré-silábicosesilábicoscomfoconodesenvolvimentoda leituraeaconsolidaçãodasrelaçõessom-grafia.

Fizemosatividadesdiferenciadasparacadagrupobuscandocontem- plarosobjetivospropostos.Nogrupo1forampriorizadasatividades deleituraemvozaltaeinterpretaçãotextual;nogrupo2,aleitura individualcomaprofessoranarotinadodiaemvozaltaparaaturma, organizaçãodepequenostextos(parlendas,cantigas)einterpretação textual;nogrupo3,atividadesdeidentificaçãodepalavras,contagem desílabaseescritadepalavrascomoalfabetomóvel,trabalhoscom textosrimados.Emtodososgrupostrabalhamosditados,cruzadinhas, caçapalavrasejogoscomdiferentesgrausdedificuldades.

Naunidade2são discutidos enca- minhamentoscom basenasavaliações realizadas.

 

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O relato da professora Sheila Cristina aponta a importância do diagnóstico como elemen- to de acompanhamento das aprendizagens e como orientador do planejamento, viabili- zando as escolhas de intervenção, atividades e agrupamentos dos estudantes.

Referências

BROOKE, Nigel. A comparação das quatro ondas. Boletim GERES. Estudo Longitu- dinal da geração escolar 2005. Nº 4. Belo Horizonte, 2008.

LEAL, Telma Ferraz. Intencionalidades da avaliação em língua portuguesa. In: SILVA, Janssen Felipe da.; HOFFMANN, Jussara; ESTEBAN, Maria Tereza. (Orgs.). Práticas Avaliativas e aprendizagens significativas: em diferentes áreas do currículo. Porto Alegre: Mediação, 2003, p. 19 –31.

MORAIS, Artur Gomes de. Tendências recentes evidenciadas em pesquisas sobre o ensino da escrita alfabética. Revista Bra- sileira de Estudos Pedagógicos, 2010.

SILVA, Janssen Felipe da. Avaliação do ensino e da aprendizagem numa pers- pectiva formativa reguladora. In: SILVA, Janssen Felipe da.; HOFFMANN, Jussara; ESTEBAN, Maria Tereza. (Org). Práticas avaliativas e aprendizagens significativas: em diferentes áreas do currículo. Porto Alegre : Mediação, 2003.

 

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Compartilhando

Direitos de aprendizagem no ciclo de alfabetização – Língua Portuguesa

O direito à Educação Básica é garantido a todos os brasileiros e, segundo prevê a Lei 9.394, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, “tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” (Art. 22).

Desse modo, a escola é obrigatória para as crianças e tem papel relevante em sua formação para agir na sociedade e para participar ativamente das diferentes esferas sociais. Dentre outros direitos, é prioritário o ensino da leitura e escrita, tal como previsto no artigo 32:

Artigo 32

Art. 32.

O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:

I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;

II - a compreensão do ambiente natural e

social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;

III- o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;

IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.

AResoluçãonº7, de14dedezembro de2010,doCon- selhoNacionalde Educação,quefixa DiretrizesCurricula- resNacionaisparao EnsinoFundamen- talde9(nove)anos podeserlidano cadernodoano1, Unidade8.

Para atender às exigências previstas nas Diretrizes, torna-se necessário delimitar os diferentes conhecimentos e as capaci- dades básicas que estão subjacentes aos direitos. Nos quadros a seguir, alguns co- nhecimentos e capacidades estão descritos e podem ser postos como pontos de partida para o estabelecimento do debate.

São descritos direitos de aprendizagem gerais, que permeiam toda a ação peda- gógica e depois são expostos quadros com conhecimentos e capacidades específicos organizados por eixo de ensino da Língua Portuguesa: Leitura, Produção de textos Escritos, Oralidade, Análise Linguística.

O eixo Análise Linguística foi dividido em dois quadros, com o objetivo de destacar as especificidades do ensino do Sistema de Escrita Alfabética, necessário para que as crianças tenham autonomia na leitura e produção de textos, separando tais direitos de outros aspectos da análise linguística, também fundamentais para a ampliação das capacidades para lidar com as situa- ções de produção e compreensão de textos orais e escritos.

Em todos os quadros são expostas suges- tões acerca de como tratar a progressão de conhecimento ou capacidade durante o ciclo de alfabetização. A letra I será utili- zada para indicar que determinado conhe- cimento ou capacidade deve ser introdu- zido na etapa escolar indicada; a letra A, indicará que a ação educativa deve garantir

o aprofundamento; e a letra C, indica que a aprendizagem deve ser consolidada no ano indicado.

Como poderá ser observado, um determi- nado conhecimento ou capacidade pode ser introduzido em um ano e aprofundado em anos seguintes. A consolidação tam- bém pode ocorrer em mais de um ano escolar, dado que há aprendizagens que exigem um tempo maior para a apropria- ção. Nos eixos de produção e compreensão de textos, por exemplo, são muitas e va- riadas as situações sociais que demandam ações de escrita/fala/escuta/leitura. Cada uma tem características próprias em que determinados gêneros textuais circulam. Desse modo, é possível dizer que deter- minados gêneros podem ser introduzidos em um determinado ano, demandando capacidades e conhecimentos relativos a ele que podem ser aprofundados e con- solidados naquele mesmo ano, e, no ano seguinte, outro gênero pode exigir que

as mesmas capacidades, com maior nível de complexidade, sejam retomadas. Por exemplo, podem ser realizadas situações didáticas para desenvolver nas crianças a capacidade de elaborar inferências, uti- lizando, para isso, textos de determinado gênero, com determinado tipo de vocabu- lário e de complexidade sintática; a criança pode consolidar tal capacidade naquele mesmo ano. No entanto, no outro ano de escolaridade, podem ser realizadas outras situações didáticas em que se busca desen-

volver a capacidade de elaborar inferências mais complexas, na leitura de textos mais longos, com vocabulário mais rebuscado, com estruturas sintáticas mais complexas. Desse modo, naquele ano, tal capacidade vai ser aprofundada e consolidada. Conce- be-se, portanto, que há aprendizagens que podem ser aprofundadas e consolidadas durante toda a vida das pessoas.

É importante também salientar que o nível de aprofundamento de um determi- nado conhecimento que se busca ao lidar com crianças de seis anos, não é o mesmo que se busca com crianças de oito anos. O professor, sem dúvidas, precisa estar

atento às experiências e conhecimentos prévios de seu grupo classe, seus inte- resses e modos de lidar com os saberes escolares.

Em todos os anos de escolarização, as crianças devem ser convidadas a ler, produzir e refletir sobre textos que circulam em diferentes esferas sociais de interlocução, mas alguns podem ser considerados prioritários, como os gêneros da esfera literária; esfera acadêmica/escolar e esfera midiática, destinada a discutir temas sociais relevantes.

Direitos gerais de aprendizagem: Língua Portuguesa

Compreender e produzir textos orais e escritos de diferentes gêneros, veiculados em suportes textuais diversos, e para atender a diferentes propósitos comunicativos, considerando as con- dições em que os discursos são criados e recebidos.

Apreciar e compreender textos do universo literário (contos, fábulas, crônicas,

poemas, dentre outros), levando-se em conta os fenômenos de fruição estética, de imaginação e de lirismo, assim como os múltiplos sentidos que o leitor pode produzir durante a leitura.

Apreciar e usar em situações significativas os gêneros literários do patrimônio cultural da infância, como parlendas, cantigas, trava línguas.

Compreender e produzir textos destinados à organização e socialização do saber escolar/científico (textos didáticos, notas de enciclopédia, verbetes, resumos, resenhas, dentre outros) e à organização do cotidiano escolar e não escolar (agendas, cronogramas, calendários, cadernos de notas...).

Participar de situações de leitura/escuta e produção oral e escrita de textos destinados à refle- xão e discussão acerca de temas sociais relevantes (notícias, reportagens, artigos de opinião, cartas de leitores, debates, documentários...).

Produzir e compreender textos orais e escritos com finalidades voltadas para a reflexão sobre valores e comportamentos sociais, planejando e participando de situações de combate aos preconceitos e atitudes discriminatórias (preconceito racial, de gênero, preconceito a grupos sexuais, preconceito linguístico, dentre outros).

 

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Leitura

Ler textos não-verbais, em diferentes suportes.

Ler textos (poemas, canções, tirinhas, textos de tradição oral, dentre outros), com autonomia.

Compreender textos lidos por outras pessoas, de diferentes gêneros e com diferentes propósitos.

Antecipar sentidos e ativar conhecimentos prévios relativos aos textos a serem lidos pelo professor ou pelas crianças.

Reconhecer finalidades de textos lidos pelo professor ou pelas crianças.

Ler em voz alta, com fluência, em diferentes situações.

Localizar informações explícitas em textos de diferentes gêneros, temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Localizar informações explícitas em textos de diferentes gêneros, temáticas, lidos com autonomia.

Realizar inferências em textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Realizar inferências em textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos com autonomia.

Estabelecerrelaçõeslógicasentrepartesdetextosdediferentes gênerosetemáticas,lidospeloprofessorououtroleitorexperiente.

Estabelecer relações lógicas entre partes de textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos com autonomia.

Apreender assuntos/temas tratados em textos de diferentes gêneros, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Apreender assuntos/temas tratados em textos de diferentes gêneros, lidos com autonomia.

Interpretar frases e expressões em textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Interpretar frases e expressões em textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos com autonomia.

Estabelecer relação de intertextualidade entre textos.

Relacionar textos verbais e não-verbais, construindo sentidos.

Saber procurar no dicionário os significados das palavras e a acep- ção mais adequada ao contexto de uso.

Ano 1

 

Ano 2

 

Ano 3

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

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I/A

 

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A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

C

 

 

 

 

 

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I

 

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A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

I/A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

I/A

 

C

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

 

 

 

 

Produção de textos escritos

Planejar a escrita de textos considerando o contexto de produção: organizar roteiros, planos gerais para atender a diferentes finalidades, com ajuda de escriba.

Planejar a escrita de textos considerando o contexto de produção: organizar roteiros, planos gerais para atender a diferentes finalidades, com autonomia.

Produzir textos de diferentes gêneros, atendendo a diferentes finalidades, por meio da atividade de um escriba.

Produzir textos de diferentes gêneros com autonomia, atendendo a diferentes finalidades.

Gerar e organizar o conteúdo textual, estruturando os períodos e utilizando recursos coesivos para articular ideias e fatos.

Organizar o texto, dividindo-o em tópicos e parágrafos.

Pontuar os textos, favorecendo a compreensão do leitor.

Utilizar vocabulário diversificado e adequado ao gênero e às finalidades propostas.

Revisar coletivamente os textos durante o processo de escrita em que o professor é escriba, retomando as partes já escritas e plane- jando os trechos seguintes.

Revisar autonomamente os textos durante o processo de escrita, retomando as partes já escritas e planejando os trechos seguintes.

Revisar os textos após diferentes versões, reescrevendo-os de modo a aperfeiçoar as estratégias discursivas.

Ano 1

 

Ano 2

 

Ano 3

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

I/A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

I/A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

 

 

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A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

 

 

 

 

 

30

 

unidade 01

unidade 01

 

31

 

 

 

 

 

 

 

 

Oralidade

Participar de interações orais em sala de aula, questionando, sugerindo, argumentando e respeitando os turnos de fala.

Escutarcomatençãotextosdediferentesgêneros,sobretudoosmais formais,comunsemsituaçõespúblicas,analisando-oscriticamente.

Planejar intervenções orais em situações públicas: exposição oral, debate, contação de história.

Produzir textos orais de diferentes gêneros, com diferentes propósitos, sobretudo os mais formais comuns em instâncias públicas (debate, entrevista, exposição, notícia, propaganda, relato de experiências orais, dentre outros).

Analisar a pertinência e a consistência de textos orais, considerando as finalidades e características dos gêneros.

Reconhecer a diversidade linguística, valorizando as diferenças culturais entre variedades regionais, sociais, de faixa etária, de gênero dentre outras.

Relacionarfalaeescrita,tendoemvistaaapropriaçãodosistema deescrita,asvarianteslinguísticaseosdiferentesgênerostextuais.

Valorizar os textos de tradição oral, reconhecendo-os como manifestações culturais.

Ano 1

 

Ano 2

 

Ano 3

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

I/A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

C

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I/A/C

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

Análise linguística:

 

Ano 1

discursividade, textualidade e normatividade

Analisar a adequação de um texto (lido, escrito ou escutado) aos

 

 

 

I/A

interlocutores e à formalidade do contexto ao qual se destina.

 

 

 

 

 

Conhecer e usar diferentes suportes textuais, tendo em vista suas

 

 

características: finalidades, esfera de circulação, tema, forma de

 

I/A/C

composição, estilo, etc.

 

 

 

 

 

Reconhecer gêneros textuais e seus contextos de produção.

I/A/C

 

 

Conhecer e usar palavras ou expressões que estabelecem

 

 

a coesão como: progressão do tempo, marcação do espaço

 

I

e relações de causalidades.

 

 

Conhecereusarpalavrasouexpressõesqueretomamcoesivamente

 

 

 

I

oquejáfoiescrito(pronomespessoais,sinônimoseequivalentes).

 

 

 

 

 

Usar adequadamente a concordância e reconhecer violações

 

 

de concordância nominal e verbal.

 

 

Conhecer e fazer uso das grafias de palavras com correspondências

 

 

 

I/A

regulares diretas entre letras e fonemas (P, B, T, D, F, V).

 

 

 

 

Conhecerefazerusodasgrafiasdepalavrascomcorrespondências

 

 

regularescontextuaisentreletrasougruposdeletraseseuvalor

 

 

sonoro (C/QU;G/GU;R/RR;SA/SO/SUeminíciodepalavra;JA/JO/

 

 

JU;Zinicial;OouU/EouIemsílabafinal;MeNnasalizandofinal

 

 

desílaba;NH;ÃeÃOemfinaldesubstantivoseadjetivos).

 

 

Conhecer e fazer uso de palavras com correspondências

 

 

 

 

irregulares, mas de uso frequente.

 

 

Saber usar o dicionário, compreendendo sua função e organização.

 

 

Saber procurar no dicionário a grafia correta de palavras.

 

 

 

 

Identificar e fazer uso de letra maiúscula e minúscula nos textos

 

I

produzidos, segundo as convenções.

 

 

 

Pontuar o texto.

 

 

 

 

Reconhecer diferentes variantes de registro de acordo com os

 

I

gêneros e situações de uso.

 

 

 

 

 

 

Segmentar palavras em textos.

I

 

 

 

Ano 2

 

Ano 3

 

 

 

A/C

 

A/C

 

 

 

 

 

 

A/C

 

C

 

 

 

 

 

 

I/A/C

 

I/A/C

 

 

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

 

 

 

A

 

C

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

 

 

 

I

 

A

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

A

 

A/C

 

 

 

 

 

 

I

 

A/C

 

 

 

A

 

C

 

 

 

 

 

 

A/C

 

 

 

 

 

 

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unidade 01

unidade 01

 

33

 

 

 

 

 

 

 

 

Análise linguística:

apropriação do Sistema de Escrita Alfabética

Escrever o próprio nome.

Reconhecer e nomear as letras do alfabeto.

Diferenciar letras de números e outros símbolos.

Conhecer a ordem alfabética e seus usos em diferentes gêneros.

Reconhecer diferentes tipos de letras em textos de diferentes gêneros e suportes textuais.

Usar diferentes tipos de letras em situações de escrita de palavras e textos.

Compreender que palavras diferentes compartilham certas letras.

Perceber que palavras diferentes variam quanto ao número, reper- tório e ordem de letras.

Segmentar oralmente as sílabas de palavras e comparar as palavras quanto ao tamanho.

Identificar semelhanças sonoras em sílabas e em rimas.

Reconhecer que as sílabas variam quanto às suas composições.

Perceber que as vogais estão presentes em todas as sílabas.

Ler, ajustando a pauta sonora ao escrito.

Dominar as correspondências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro, de modo a ler palavras e textos.

Dominar as correspondências entre letras ou grupos de letras e seu valor sonoro, de modo a escrever palavras e textos.

Ano 1 Ano 2 Ano 3

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A A/C

I A/C C

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A/C

I/A A/C C

I/A A/C C

O acompanhamento da aprendizagem das crianças: sugestão de instrumento de registro.

ESCOLA: __________________________________________________________

NOME: ___________________________________________________________

Análise linguística:

 

 

 

 

 

 

 

 

apropriação do Sistema de Escrita Alfabética

 

Fev.

 

Jun.

 

Ago.

 

Dez.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escreve o próprio nome.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reconhece e nomeia as letras do alfabeto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diferencia letras de números e outros símbolos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conhece a ordem alfabética e seus usos

 

 

 

 

 

 

 

 

em diferentes gêneros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reconhece diferentes tipos de letras em textos

 

 

 

 

 

 

 

 

de diferentes gêneros e suportes textuais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Usa diferentes tipos de letras em situações

 

 

 

 

 

 

 

 

de escrita de palavras e textos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Compreende que palavras diferentes

 

 

 

 

 

 

 

 

compartilham certas letras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Percebe que palavras diferentes variam quanto ao número,

 

 

 

 

 

 

 

 

repertório e ordem de letras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segmenta oralmente as sílabas de palavras e compara

 

 

 

 

 

 

 

 

as palavras quanto ao tamanho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identifica semelhanças sonoras em sílabas e em rimas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reconhecequeassílabasvariamquantoàssuascomposições.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Percebe que as vogais estão presentes em todas as sílabas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lê, ajustando a pauta sonora ao escrito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Domina as correspondências entre letras ou grupos de

 

 

 

 

 

 

 

 

letras e seu valor sonoro, de modo a ler palavras e textos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dominaascorrespondênciasentreletrasougruposdeletras eseuvalorsonoro,demodoaescreverpalavrasetextos.

[ S ] Sim; [ P ] Parcialmente; [ N ] Não.

 

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unidade 01

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Leitura

 

 

 

 

 

 

 

 

Fev.

 

Jun.

 

Ago.

 

Dez.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lê textos não-verbais, em diferentes suportes.

Lê textos (poemas, canções, tirinhas, textos de tradição oral, dentre outros), com autonomia.

Compreende textos lidos por outras pessoas, de diferentes gêneros e com diferentes propósitos.

Antecipa sentidos e ativa conhecimentos prévios relativos aos textos a serem lidos pelo professor ou pelas crianças.

Reconhece finalidades de textos lidos pelo professor ou pelas crianças.

Lê em voz alta, com fluência, em diferentes situações.

Localiza informações explícitas em textos de diferentes gêneros, temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Localizainformaçõesexplícitasemtextosdediferentes gêneros,temáticas,lidoscomautonomia.

Realizainferênciasemtextosdediferentesgênerose temáticas,lidospeloprofessorououtroleitorexperiente.

Realizainferênciasemtextosdediferentesgênerose temáticas,lidoscomautonomia.

Estabelece relações lógicas entre partes de textos

de diferentes gêneros e temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Estabelece relações lógicas entre partes de textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos com autonomia.

Apreende assuntos/temas tratados em textos de diferentes gêneros, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Apreendeassuntos/temastratadosemtextosdediferentes gêneros,lidoscomautonomia.

Interpreta frases e expressões em textos de diferentes gêneros e temáticas, lidos pelo professor ou outro leitor experiente.

Interpretafraseseexpressõesemtextosdediferentes gênerosetemáticas,lidoscomautonomia.

Estabelece relação de intertextualidade entre textos.

Relacionatextosverbaisenão-verbais,construindosentidos.

[ S ] Sim; [ P ] Parcialmente; [ N ] Não.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Produção de textos escritos

 

 

 

 

 

 

 

 

Fev.

 

Jun.

 

Ago.

 

Dez.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Planeja a escrita de textos considerando o contexto de produção: organiza roteiros, planos gerais para atender a diferentes finalidades, com ajuda de escriba.

Planeja a escrita de textos considerando o contexto de produção: organiza roteiros, planos gerais para atender a diferentes finalidades, com autonomia.

Produz textos de diferentes gêneros, atendendo a diferen- tes finalidades, por meio da atividade de um escriba.

Produz textos de diferentes gêneros com autonomia, atendendo a diferentes finalidades.

Gera e organiza o conteúdo textual, estruturando os períodos e utilizando recursos coesivos para articular ideias e fatos.

Utiliza vocabulário diversificado e adequado ao gênero e às finalidades propostas.

Revisa coletivamente os textos durante o processo de escrita em que o professor é escriba, retomando as partes já escritas e planejando os trechos seguintes.

Revisa autonomamente os textos durante o processo de escrita, retomando as partes já escritas e planejando os trechos seguintes.

[ S ] Sim; [ P ] Parcialmente; [ N ] Não.

 

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unidade 01

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Oralidade

 

 

 

 

 

 

 

 

Fev.

 

Jun.

 

Ago.

 

Dez.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Participardeinteraçõesoraisemsaladeaula,questionando, sugerindo,argumentandoerespeitandoosturnosdefala.

Escuta com atenção textos de diferentes gêneros, sobretu- do os mais formais, comuns em situações públicas, anali- sando-os criticamente.

Planeja intervenções orais em situações públicas: exposição oral, debate, contação de história.

Produz textos orais de diferentes gêneros, com diferentes propósitos, sobretudo os mais formais comuns em instân- cias públicas (debate, entrevista, exposição, notícia, propa- ganda, relato de experiências orais, dentre outros).

Analisa a pertinência e a consistência de textos orais, considerando as finalidades e características dos gêneros.

Reconhece a diversidade linguística, valorizando as diferenças culturais entre variedades regionais, sociais, de faixa etária, de gênero dentre outras.

Relaciona fala e escrita, tendo em vista a apropriação do sistema de escrita, as variantes linguísticas e os diferentes gêneros textuais.

Valoriza os textos de tradição oral, reconhecendo-os como manifestações culturais.

[ S ] Sim; [ P ] Parcialmente; [ N ] Não.

Análise linguística:

Jun.

Ago. Dez.

discursividade, textualidade e normatividade Fev.

Analisa a adequação de um texto (lido, escrito ou escutado) aos interlocutores e à formalidade do contexto ao qual se destina.

Conhece e usa diferentes suportes textuais, tendo em vista suas características: finalidades, esfera de circulação, tema, forma de composição, estilo, etc.

Reconhece gêneros textuais e seus contextos de produção.

Conhece e usa palavras ou expressões que estabelecem a coesão como: progressão do tempo, marcação do espaço e relações de causalidades.

Conhece e usa palavras ou expressões que retomam coesi- vamente o que já foi escrito (pronomes pessoais, sinônimos e equivalentes).

Conheceefazusodasgrafiasdepalavrascomcorrespondên- ciasregularesdiretasentreletrasefonemas(P,B,T,D,F,V).

Identifica e faz uso de letra maiúscula e minúscula nos textos produzidos, segundo as convenções.

Reconhece diferentes variantes de registro de acordo com os gêneros e situações de uso.

Segmenta palavras em textos.

[ S ] Sim; [ P ] Parcialmente; [ N ] Não.

 

38

 

unidade 01

unidade 01

 

39

 

 

 

 

 

 

 

 

Perfil de grupo:

sugestão de instrumento de acompanhamento da turma

ESCOLA: ________________________________________________________________________

PROFESSOR/A:___________________________________________________________________

Conhecimento / Capacidade

 

Sim

 

Parcialmente

 

Não

Escreve o próprio nome.

Reconhece as letras do alfabeto por seus nomes.

Diferencia letras de números e outros símbolos.

Utiliza letras na escrita das palavras.

Escreve palavras estabelecendo algumas correspondências entre letras e seu valor sonoro, mesmo omitindo, mudando a ordem ou trocando letras.

Escreve palavras com diferentes estruturas silábicas, aten- dendo a algumas convenções ortográficas.

Lê palavras formadas por diferentes estruturas silábicas.

Lê textos de gêneros e temáticas familiares em voz alta.

Compreende textos de gêneros, temáticas e vocabulário familiares.

Produz textos escritos de gênero, temática e vocabulário familiares.

Participa de situações produzindo e compreendendo textos orais de gêneros e temas familiares.

Obs. Em cada coluna deve-se indicar a quantidade de crianças que domina o conhecimento descrito (SIM), a quantidade de crianças que domina parcialmente (PARCIALMENTE) e a quantidade de crianças que não domina (NÃO).

 

40

 

unidade 01

 

 

 

Aprendendo mais

Concepções de linguagem e o ensino da Língua Portuguesa.

1.SOARES, Magda Becker. Concepções de linguagem e o ensino da Língua Portuguesa. In: Bastos, N. B. (org). Língua Portuguesa: história, perspectivas e ensino. São Paulo: Educ, 1998.

De forma atrativa e aprofundada, a autora apresenta como se constituiu o ensino do compo- nente curricular Língua Portuguesa no Brasil. Por meio de um resgate histórico, são apre- sentadas as várias formas como a linguagem foi concebida, em relação às concepções sobre o papel da escola, e os modos como o currículo era organizado para atender às expectativas da época. A autora apresenta como as perspectivas de língua enquanto expressão do pensa- mento, instrumento de comunicação e processo de interação se constituíram e suas relações com o contexto socioeconômico e político da época. O texto aponta a importância de com- preensão dessas relações e sua importância para a concepção de língua, linguagem, escola, sociedade e currículo do componente curricular Língua Portuguesa.

Letramento e Alfabetização: pensando a prática pedagógica.

2.LEAL,TelmaFerraz;ALBUQUERQUE,ElianaBorgesCorreiade.;MORAIS,ArturGomesde. LetramentoeAlfabetização:pensandoapráticapedagógica. In:Org.BEAUCHAMP,Janete; PAGEL,Denise;NASCIMENTO,AricéliaR.EnsinoFundamentaldenoveanos:orientaçõespara ainclusãodeseisanosdeidade.Brasília:MEC/SEB,2007.(Disponívelem:http://portal.mec. gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/ensifund9anobasefinal.pdf).

O artigo traz discussões sobre alfabetização e letramento e aponta a importância de não deixar para os anos seguintes o que devemos assegurar desde a entrada das crianças, aos seis anos, na escola. Há um incentivo para que possamos repensar o ensino em todo Ensino Fun- damental, revendo currículos, conteúdos, práticas pedagógicas, visando qualificar o tempo de aprendizagem das crianças no espaço escolar. Para isso, o texto aponta atividades, se- quencias didáticas, projetos, dentre outras formas de organizar o trabalho pedagógico, para que todos os eixos da Língua Portuguesa sejam comtemplados, de forma lúdica e reflexiva.

Instrumentos de avaliação diagnóstica e planejamento: a função da avaliação diagnóstica no planejamento das práticas de alfabetização e letramento.

3.SILVA,CerisRibasda;CASTANHEIRA,MariaLúcia.Instrumentosdeavaliaçãodiagnósticae planejamento:afunçãodaavaliaçãodiagnósticanoplanejamentodaspráticasdealfabet- izaçãoeletramento.In:BRASIL.MEC.AlfabetizaçãoeLetramentonainfância.Boletim09, junho2005.SérieTVEscola.Disponívelem:<http://tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/1 50630AlfabetizacaoeLetramento.pdf>.

O texto trata de questões relacionadas à avaliação diagnóstica e aos procedimentos necessá- rios para a elaboração e aplicação de instrumentos visando o desenvolvimento de práticas de alfabetização e letramento e monitoramento das aprendizagens das crianças. A elaboração de atividades diversificadas e a sua utilização de forma organizada e articulada, tendo por base uma “matriz de referência”, auxilia na operacionalização da avaliação dos conheci- mentos e capacidades referentes à aquisição do sistema da escrita, da leitura e da produção textual que se pretende investigar. A partir desses encaminhamentos, é possível planejar os processos de ensino com objetivos a serem alcançados por meio da introdução, sistematiza- ção ou consolidação dessas habilidades e conhecimentos pelas crianças.

Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura.

4.MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa; CANDAU, Vera Maria. Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura. In BEAUCHAMP, Jeanete, PAGEL, Sandra Denise; NASCIMENTO, Aricélia Ribeiro. Indagações sobre o Currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. (Disponível em: http://portal.mec. gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag3.pdf).

O artigo aponta que a cultura configura-se como um conjunto de práticas por meio das quais sig- nificados são produzidos e compartilhados em um grupo. Nesse contexto, os conhecimentos es- colares provêm de saberes e conhecimentos socialmente produzidos nos mais diversos espaços sociais, que depois de selecionados e preparados constituem o currículo formal para o processo de ensino e aprendizagem. Além desses espaços, a própria escola se constitui como instância em que os conhecimentos são elaborados, ensinados e aprendidos. Desta forma, o currículo pode ser compreendido como as experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimen- to, em meio a relações sociais, e que contribuem para a construção das identidades dos nossos estudantes. Currículo associa-se, assim, ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas. Nesse contexto, os autores apontam que os educadores possuem um papel fundamental na organização dos currículos que se materializam nas salas de aulas.

Sugestões de atividades para os encontros em grupo

1º momento (4 horas)

1 – Fazer dinâmica de apresentação do grupo; discutir sobre as expectativas e os conhecimentos e opiniões sobre o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

2 – Discutir sobre as informações gerais do Programa / explorar o material.

3 – Fazer contrato didático.

4 – Ler texto para deleite: Clact... clact... clact... de Lilia- na & Michele Lacocca.

5 – Ler a seção “Iniciando a conversa”.

6 – Ler o texto 1 (Currículo no ciclo de alfabetização: ampliando o direito de aprendizagem a todas as crianças); discutir com base na seguinte questão: que ações/atitudes são necessárias para que o ciclo de alfabetização se organize pautado pelos princípios da inclu- são, continuidade e progressão? Tais ações/atitudes foram comuns nas experiências vivenciadas pelo grupo em seus tempos de estu- dante? Têm sido comuns em suas experiências como professoras?

7 – Analisar atividades do livro didático de alfabetização relacionando-as aos quadros de direitos de aprendiza- gem da seção Compartilhando.

 

42

 

unidade 01

unidade 01

 

43

 

 

 

 

 

 

 

 

2º momento (4 horas)

1 – Ler texto para deleite: Você sabia? de Zuleika Murrie.

2 – Ler o texto 2 (A complexidade da aprendizagem do Sistema de Escrita Alfabética: ampliação do tempo para a consolidação da leitura e da escrita pela criança); discutir com base nas seguintes

questões: O estabelecimento do ciclo de alfabetização em três anos é uma boa decisão curricular?

3 – Analisar as questões do caderno da Provinha Brasil e identi- ficar quais direitos de aprendizagem são contemplados em cada uma delas.

4 – Analisar o instrumento de avaliação disponível no Portal e identificar quais direitos de aprendizagem listados nos quadros estão contemplados.

5 - Assistir ao Programa “Leitura e produção de textos na alfabeti- zação (disponível em www.ufpe.br/ceel); discutir sobre a concep- ção de alfabetização subjacente ao Programa.

Tarefa (para casa e escola):

-Comparar os quadros de direitos de aprendizagem - Língua Por- tuguesa e o documento curricular da Rede de Ensino

-Aplicar o instrumento de avaliação sugerido no Portal, preencher o quadro de acompanhamento de aprendizagem e o quadro de perfil da turma.

-Ler um dos textos sugeridos na seção Sugestões de leitura; elabo- rar uma questão a ser discutida pelo grupo (escolher coletivamen- te o texto que será discutido).

3º Momento (4 horas)

1 – Ler texto para deleite: Adedonha, o jogo das palavras, de Arlene Holanda.

2 – Discutir sobre as conclusões acerca das relações entre os qua- dros de direitos de aprendizagem e o documento curricular da Rede de Ensino.

3 – Ler o texto “Avaliação no ciclo de alfabetização: o monitora- mento do processo de ensino e de aprendizagem das crianças” para responder às seguintes questões: Quais são as dificuldades para articular a avaliação ao planejamento do ensino?; Que outras atividades poderiam ser desenvolvidas tendo por base o quadro de direitos de aprendizagem na seção Compartilhando.

4 – Discutir sobre os resultados de aprendizagem das crianças registrados no quadro de acompanhamento; planejar uma atividade, com base nas principais difi- culdades identificadas na avaliação, usando um livro do acervo PNLD Obras Complementares.

5 - Discutir as questões elaboradas com base na leitura do texto sugerido na seção Sugestões de leitura.

 

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