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O PAPEL DO ADMINISTRADOR NO TERCEIRO

SETOR

Patrícia Lucietto Mendes Profª. Angélica Laipelt dos Santos

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Bacharelado em Serviço Social (SES 0146) - Administração 02/03/2013

RESUMO

O terceiro setor compreende as organizações sem fins lucrativos, estas organizações geralmente são administradas por líderes comunitários ou voluntários sem nenhum preparo ou experiência em administração. Com o crescimento dessas organizações e com o crescimento do público atingido é que perceberam que é necessário um profissional competente para garantir os objetivos e manter a sobrevivência dessas organizações. Esse profissional é o administrador ele baseado no seu preparo técnico aliado ao seu bom senso tendo como base a solidariedade definirá as metas e usará os recursos de forma a concluir todos os objetivos dessa organização.

Palavras-chave: Terceiro Setor. Administração. Administrador.

1 INTRODUÇÃO

Observa-se que diante do aumento de uma população ainda carente de direitos básicos e da incapacidade do Estado em atingir toda essa população, expandem-se também as organizações não governamentais.

Essas ONGs baseadas no princípio de solidariedade, com o objetivo de dispor serviços básicos como saúde, educação, defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, entre outros, tornam-se cada vez mais atuantes, porém ampliam-se também suas responsabilidades administrativas.

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Este ensaio procura mostrar a importância do papel de um administrador na administração desse setor. Na primeira parte do trabalho trata-se do que consiste o terceiro setor. A seguir conceitua-se administração, em seguida o papel do administrador no terceiro setor, por fim as considerações finais.

2 TERCEIRO SETOR

O Terceiro setor é constituído por organizações privadas que geram bens e serviços públicos e privados, sem finalidade de lucro. São, portanto, organizações de natureza privada com finalidade, pública, cujos objetivos são voltados para o desenvolvimento político, econômico, social e cultural do meio onde atuam ao passo que as ações são centradas em temas como solidariedade, cidadania, emancipação, autonomia e direitos da

população, preferencialmente de excluídos e marginalizados socialmente (FERNANDES, 2002).

Portanto, o terceiro setor é aquele que não é público e nem privado. Porém, relaciona-se com ambos. É composto por organizações de natureza privada (sem o objetivo do lucro), dedicadas a realização de objetivos públicos embora não integre o governo.

Conforme figura 1, configuram-se então como o primeiro setor o Estado, como segundo setor o Mercado (Iniciativa privada), como organizações do Terceiro Setor, ou ONGs1 (Organização-Não governamental), as entidades de interesse social sem fins lucrativos.

1O termo não existe legalmente e caracteriza-se como um conceito socialmente construído e difundido. Internacionalmente, o termo originou-se nas Nações Unidas (NON-GOVERNMENTAL ORGANIZATIONS-NGO), onde foi utilizado pela primeira vez para se referir às organizações da sociedade civil comprometidas com a reconstrução social após a II Guerra Mundial. Essas organizações não haviam sido criadas por acordos governamentais, logo, eram“organizações não governamentais”.

Na América Latina e no Brasil, o termo foi introduzido pelas agências internacionais para denominar as organizações responsáveis pela implementação de projetos de cunho social, por elas financiadas.

O termo se tornou popular—sobretudo após a ECO 92—e geralmente é utilizado para designar qualquer tipo de organização sem fins lucrativos (Pereira, 2003).

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FIGURA 1 – OS TRES SETORES DA SOCIEDADE

SETORES DA

SOCIEDADE

1º Setor

2º Setor

3ºSETOR

Ambiente: ESTADO

Ambiente: MERCADO

Ambiente: SOCIEDADE

Agente: GOVERNO

Agente: FIRMA

ORGANIZADA

Meta: CONTROLE

Meta: LUCRO

Agente: ORG. SEM FINS

SOCIAL

Iniciativa: PRIVADA

LUCRATIVOS.

Iniciativa: PÚBLICA

Fim: PRIVADO

Meta:QUALIDADE DE

Fins: PÚBLICO

 

VIDA

 

 

Iniciativa: PRIVADA

 

 

Fim: PÚBLICO

FONTE: Eusébio Escornavacca Júnior.

Essas ONGs atuam na promoção e defesa do interesse público, portanto devem sujeitar-se aos princípios constitucionais da administração pública (Art.37, caput da constituição Federal), que são os princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência.

Embora seguindo esses princípios, o administrador ou gestor dessas organizações não tem ainda um modelo de administração própria, alguns utilizam o modelo de administração convencional outros administram motivados pela emoção, mas sem nenhum preparo administrativo.

Conforme sugere (Carvalho, 2000), ”[...] As Organizações sociais, frequentemente, carregam forte apelo emocional vivenciado pelo líder e compartilhado com outros membros. O tom emocional atrelado à causa social mobiliza ações significativas e fundamentais para sociedade. Em contrapartida, pode deixar a organização suscetível a

ações e decisões emotivas e pouco assertivas.” De outra maneira, empresariar a gestão social é algo que não se deseja.

Mais do que nunca é preciso reconhecer o que mobiliza os atores e as forças propulsoras e inibidoras próprias do segmento a que pertencem para, então, se propor dinâmicas, técnicas

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e instrumentos adequados à cultura dessas organizações [...] Mais inapropriado ainda seria aprender os modelos válidos para o setor privado e o setor público (MENDES, 1998, p.171).

Acerca dos profissionais que trabalham nesse setor cabe ressaltar que na sua grande maioria, são voluntários, portanto não recebem salário, agem no intuito de ajudar ao próximo, e essa organização geralmente é administrada basicamente por líderes comunitários com pouca ou nenhuma experiência administrativa.

3 ADMINISTRAÇÃO:

Segundo Stoner:

[...] Administração é o processo de planejamento, organização, liderança e controle do trabalho dos membros da organização e do emprego de todos os outros recursos organizacionais para se atingir os objetivos estabelecidos’’(STONER, 1985, p.6). Como sugere Stoner, administrar é o meio de colocar em prática as metas de uma organização, utilizando de forma eficiente e eficaz recursos materiais, humanos e financeiros que dispomos para a realização desses objetivos.

De outra forma, para administrar em uma organização sem fins lucrativos, bem como em qualquer outra organização, visando eficiência e eficácia é necessária competência.

O dicionário Welbster (1981, p. 63) define competência, na língua inglesa como: ”Qualidade ou estado de ser funcionalmente adequado ou ter suficiente conhecimento, julgamento, habilidades ou força para uma determinada tarefa”. Esta definição bastante genérica menciona dois pontos principais ligados à competência: conhecimento e tarefa.

4 O PAPEL DO ADMINISTRADOR NO TERCEIRO SETOR

Devido à proliferação dessas organizações não governamentais sem fins lucrativos, houve um aumento na concorrência, na captação de recursos para o financiamento desses projetos assim como a preocupação em manter sua própria sobrevivência.

Essas organizações buscaram alternativas para sua sustentabilidade, gerando fontes próprias de recursos, através de atividades de produção ou comercialização de produtos e serviços.

Tanto a origem, quanto os objetivos passaram a se diversificar, exigindo um novo modo de atuação, reforçou a tendência de modernização e profissionalização das organizações sem fins lucrativos, bem como de seus administradores.

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Salomon afirma sobre as organizações sem fins lucrativos:

“Por mais que se vangloriem de sua flexibilidade, as organizações não lucrativas continuam a ser organizações”. À medida que crescem em escala e complexidade, ficam vulneráveis a todas as limitações que afligem outras instituições burocráticas: Indiferença, criação de obstáculos, rotinização e falta de coordenação’’Isso mostra que,à medida que as organizações do terceiro setor vão crescendo,surge à necessidade de uma pessoa para organizar as suas atividades. Essa pessoa tem o perfil de um administrador.

Como podemos observar é possível relacionar esse perfil ao que sugere Stoner e Freeman sobre o papel dos administradores em qualquer organização,

Segundo Stoner e Freeman (1985), os administradores:

∑trabalham comoutras pessoas e por meio delas;

∑são responsáveis e têm que prestar contas de seus atos;

∑chegam a umequilíbrio entre objetivos concorrentes e estabelecem prioridades;

∑têm que pensar analítica (subdividir um problema, analisar seus elementos e propor uma solução viável) e conceitualmente (ver toda tarefa em abstrato e relacioná-la com outras tarefas);

∑são mediadores - eles têm que acertar as discordâncias entre pessoas antes que elas escapem ao controle;

∑são políticos - recorrem á persuasão e as soluções de meio-termo para alcançar os objetivos da organização;

∑são diplomatas - podem atuar como representantes oficiais de suas unidades em reuniões organizacionais;

∑tomam decisões difíceis - cabe aos administradores propor soluções para problemas difíceis e fazer o acompanhamento de suas decisões.

Incorpora-se a isso o que pensa Becker a respeito do papel do administrador do terceiro

setor:

“[...] O administrador neste tipo de organização deve: Dar atenção ao treinamento de pessoas, apoiar na execução de trabalhos, realizar projetos de curto prazo, visando à melhoria social, difundindo o trabalho da organização garantindo a sua imagem a longo prazo; buscar uma interação positiva com o governo viabilizando a execução de projetos, cumprindo os objetivos da organização para garantir a sua missão. Porém, não deve deixar que a organização seja comandada pelo Estado. Esta deve manter sua autonomia e independência nas suas decisões. Preocupação econômica e social, capacidade de trabalhar em equipe para realizar com sucesso o maior numero de projetos possíveis. Deve conhecer o papel das instituições sem fins lucrativos. Conhecer os modelos de gestão adequadas a essas instituições, captar recursos. Marketing para a divulgação da ação social, ética entre outros”.

Dependendo do tipo de organização as necessidades com relação aos profissionais variam, mas, Como sugere Maximiano (2000, p.29), ”As habilidades administrativas são importantes para qualquer pessoa que tome decisões sobre a utilização de recursos para realizar objetivos”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

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Embora esses impasses e desafios teóricos, é possível perceber o crescimento acelerado dessas organizações, bem como a necessidade de um profissional capacitado para gerí-las de forma eficiente e eficaz dada a complexidade dessa gestão. É nesse contexto que surge o Administrador, um profissional competente, e capaz de compreender que de sua administração depende a sobrevivência dessa organização.

Deve ter em mente que fazer o Bem, não significa apenas fazer alguma coisa e sim fazer bem aquilo que aprendeu. Considerando todos os meios disponíveis para a consecução dos objetivos dessa organização.

Por fim, esse administrador deve relacionar seus conhecimentos teóricos e práticos de uma administração convencional, de forma a criar um modelo próprio de gestão observando a base desse tipo de organização: A Solidariedade.

REFERÊNCIAS

JORDAN, David Alberto Beker. A carreira do administrador emorganizações do

Terceiro setor. Disponível em: < http://integracao.fgvsp.br/ano11/1. Acesso em: 13> 02 fev.2013..

JUNIOR, Eusébio Scornavacca; BECKER, João Luiz. HÁ VAGAS?- A INSERÇÃO dos ADMINISTRADORES NO TERCEIRO SETOR. Revista Eletrônica de Administração, Porto Alegre, Edição 13, v.6, n.1 (jan./fev.2000). Disponível em: < http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/19347/000293929.pdf?sequence=1>.Acesso em: 23 jan.2013.

PAES, José Eduardo Sabo. Terceiro Setor: Conceituação e Observância dos Princípios Constitucionais Aplicáveis à Administração Pública. Livro:O Novo direito Administrativo Brasileiro, Belo Horizonte: Fórum, p.275-286, 2003. Disponívelem: <http://trinity.ritterdosreis.br/phl5/images/CAN/SP/SP012984_93.pdf

SILVA, Carlos Eduardo Guerra. Gestão, legislação e fontes de recursos no Terceiro Setor Brasileiro. Uma perspectiva Histórica. Revista Administração Pública, v. 44, n.6, p.1301. ISSN 0034-7612. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo. php?pid=S0034- 76122010000600003&script=sci_arttext >.Acesso em: 23 jan. 2013.

TAFNER, Elisabeth Penzlien; SILVA, Everaldo da. Metodologia do Trabalho Acadêmico. 2. ed.Indaial: UNIASSELVI, 2012.

SOUTO, Jean Martins de. Técnicas de Gestão. Indaial: UNIASSELVI, 2006.

SILVA, Jaqueline Oliveira; STADLOBER, Claudia de Salles. Gestão Social, Solidariedade e Cidadania. Porto Alegre: UNIASSELVI, 2009.